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porto velho, segunda-feira 8 de junho de 2026

MUNDO: O presidente chinês, Xi Jinping, chegou nesta segunda-feira (08/06) para uma rara visita de dois dias à Coreia do Norte. Observadores afirmam que essa viagem representa uma boa oportunidade para o líder norte-coreano, Kim Jong-un, demonstrar ao seu povo que uma das superpotências mundiais reconhece a Coreia do Norte como aliada e parceira. Trata-se de um gesto significativo para um regime que busca legitimidade interna e prestígio internacional.
Xi e Kim se encontraram pela última vez em setembro de 2025, quando Pequim celebrou com um desfile militar o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial na Ásia. O presidente russo, Vladimir Putin, também esteve presente. No entanto, a última visita de Xi à Coreia do Norte foi há sete anos, em 2019.
China e Coreia do Norte são aliadas importantes, tanto econômica quanto militarmente, desde a Segunda Guerra Mundial. Durante a Guerra da Coreia (1950-1953), Mao Tsé-Tung descreveu a relação entre os dois países como "tão próxima quanto lábios e dentes".
Naquela época, a China enviou 1,3 milhão de soldados para a Guerra da Coreia para lutar contra a "agressão americana". Entre os 115 mil mortos estava o filho mais velho de Mao. "O principal objetivo de Xi é consolidar e fortalecer a relação da China com a Coreia do Norte", afirma Choo Jae-woo, professor de política externa do Instituto de Estudos Chineses da Universidade Kyung Hee, na Coreia do Sul.
Kim tem se empenhado muito nos últimos anos em tentar melhorar suas relações com a Rússia, que precisa urgentemente do fornecimento de armas e do destacamento de soldados para sua guerra contra a Ucrânia. E ambos os países estão em listas de sanções internacionais. "A China claramente se sente ignorada pela Coreia do Norte", acrescentou Choo.
Este mês de julho marca o 65º aniversário da assinatura do tratado de amizade entre a China e a Coreia do Norte. Trata-se do único tratado de aliança militar da China. O artigo segundo estipula assistência militar "por todos os meios" caso uma das partes do tratado seja submetida a "um ataque armado" ou "agressão". Oficialmente, a Coreia do Sul e a Coreia do Norte ainda estão em guerra, e o que vigora é um cessar-fogo.
"Seria mais apropriado que Xi viajasse à Coreia do Norte para o aniversário [do tratado], em 11 de julho", diz Choo. "A viagem atual, um mês antes, mostra que Xi está preocupado com a possibilidade de a Coreia do Norte estar se aproximando demais da Rússia."
A China tem permitido grandes volumes de exportações para a Coreia do Norte nos últimos meses, continua Choo. E Kim espera receber mais turistas chineses na chamada "Riviera Norte-Coreana", em Wonsan-Kalma. Numerosos turistas russos já viajam para a costa do Pacífico para lazer.
Kim já anunciou seu apoio contínuo ao princípio de "uma só China" e sua visão de Taiwan como parte da China. Ele também buscará laços mais estreitos com o enorme poder econômico da China para impulsionar a economia debilitada da Coreia do Norte. Estatísticas do banco central sul-coreano mostram que, após anos de crescimento negativo e nulo, o Produto Interno Bruto (PIB) da Coreia do Norte, um país extremamente pobre, cresceu 3% nos últimos dois anos.
E Kim almeja mais. "Ele quer que a Coreia do Norte seja vista internacionalmente como um 'Estado normal'. Ele quer usar a visita de Xi para expandir o escopo e o alcance de seus esforços diplomáticos, por exemplo, através da adesão da Coreia do Norte à Organização de Cooperação de Xangai (OCX) ou ao Brics", afirma o especialista Choo. A Coreia do Norte não é membro nem observadora de nenhuma das duas organizações.
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A Organização de Cooperação de Xangai (OCX), fundada pela China em 2001, é composta por dez membros plenos da Ásia Central e Oriental, com o objetivo de promover a cooperação em segurança e economia. Já o Brics é formado por 11 das principais economias emergentes e em desenvolvimento do mundo e serve como um fórum para a coordenação política e econômica do chamado Sul Global.
O líder Kim, de 42 anos, quer mostrar "que a Coreia do Norte é um país que outros devem levar a sério", afirma Kim Sang-woo, ex-político do partido sul-coreano de esquerda Congresso para a Nova Política e atualmente membro do Conselho da Fundação para a Paz Kim Dae-jung, na Coreia do Sul. "O apoio incondicional da China e o reconhecimento renovado da aliança" reforçariam essa afirmação.
Por outro lado, Xi quer demonstrar "que a China é a potência hegemônica na região do Indo-Pacífico e que o compromisso e a confiabilidade dos EUA na região se tornaram cada vez mais incertos", disse Kim. "Esta é uma mensagem para os países da região, que estão se aproximando cada vez mais, incluindo Coreia do Sul, Japão, Índia, Filipinas, Austrália e outros, enquanto a China tenta exercer influência sobre essas alianças."