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porto velho, domingo 13 de setembro de 2026

MUNDO: Em escritórios das Forças Armadas e da comunidade de inteligência dos Estados Unidos, têm ocorrido recentemente discussões discretas sobre a redução do número de pessoas e instalações normalmente mantidas no Oriente Médio, caso o governo Trump consiga encerrar o conflito com o Irã, segundo seis fontes.
Se esses cortes ocorrerem, representarão mais uma mudança na forma como o aparato de segurança nacional dos EUA trata uma região da qual presidentes sucessivos tentaram se afastar.
Após os ataques de 11 de setembro de 2001, os EUA expandiram exponencialmente uma rede de instalações militares e de inteligência permanentes para travar guerras e realizar operações em meia dúzia de países: Iraque, Afeganistão, Síria, Irã, Iêmen e Líbia.
Mas os recentes combates com o Irã expuseram profundas vulnerabilidades na infraestrutura americana no Oriente Médio. Muitos desses locais se tornaram alvos de repetidos ataques iranianos em uma guerra impopular que matou 18 militares americanos.
Autoridades envolvidas nas discussões informais dentro das Forças Armadas e da comunidade de inteligência indicaram que estão agindo agora, ao menos em parte, para antecipar o que pode ser aceitável para um presidente imprevisível que, segundo fontes, não apresentou nenhuma estratégia clara para o período pós-guerra — e que, no passado, fez da redução das forças americanas no exterior uma marca de sua política.
Essas discussões ocorrem mesmo com cerca de 50 mil soldados e um grande número de ativos militares ainda no Oriente Médio, incluindo dois porta-aviões e mais de uma dúzia de contratorpedeiros com mísseis guiados. Agentes da CIA que foram enviados de volta aos Estados Unidos durante a fase mais intensa dos combates no início deste ano estão sendo reenviados à região, disse uma das fontes.
O Exército americano também avalia como reforçar as defesas das tropas que devem permanecer na região mesmo após o fim da guerra. Isso inclui transferir algumas instalações para o subsolo, a fim de protegê-las melhor contra ataques de mísseis e drones como os lançados pelo Irã durante o conflito, segundo duas fontes familiarizadas com as discussões.
Embora o Pentágono discuta há muito tempo a transferência de algumas bases na região para estruturas subterrâneas, a ideia ganhou nova urgência após as primeiras semanas da guerra, quando o Irã expôs o quanto essas instalações eram vulneráveis a ataques de drones e mísseis.
“As vulnerabilidades sempre foram conhecidas, mas os EUA nunca agiram com urgência a respeito”, disse uma das fontes, um oficial americano.
Os militares desenvolveram vários planos possíveis para alterar a estrutura das forças americanas no Oriente Médio já no próximo ano, disseram duas das fontes. Segundo elas, não faria sentido abandonar as localizações estratégicas para lançamento de aeronaves enquanto o conflito estiver em curso.
O Gabinete do Secretário de Defesa direcionou as perguntas ao Comando Central dos EUA. Após a publicação, um oficial americano disse que os militares “não discutirão deliberações internas e não especularão sobre a postura futura das forças por razões de segurança operacional”. A Agência Central de Inteligência recusou-se a comentar.
No pano de fundo da discussão atual estão as repetidas tentativas de retirada da região: 25 anos de intervenção militar no Oriente Médio desde o 11 de setembro, marcados por ciclos de promessas de recuo.