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porto velho, sexta-feira 23 de outubro de 2026

MUNDO: Poucas horas depois de sinalizar disposição para retomar as negociações de paz com a Ucrânia, o presidente russo Vladimir Putin voltou a colocar a capital ucraniana sob fogo intenso. Uma ofensiva com mísseis balísticos atingiu Kiev na madrugada desta quinta-feira (22), deixando mortos, dezenas de feridos e um rastro de destruição em áreas residenciais e instalações estratégicas.
Segundo autoridades ucranianas, a Rússia lançou pelo menos 21 mísseis balísticos em três ondas de ataques contra Kiev. O balanço divulgado pelo presidente Volodymyr Zelensky aponta duas mortes e 34 feridos, incluindo cinco crianças, em ofensivas que atingiram diferentes regiões do país.
Os bombardeios atingiram edifícios residenciais, estruturas de transporte, instalações energéticas e estabelecimentos comerciais. Entre os locais danificados estão uma ponte sobre o rio Dnipro, uma estação de ambulâncias e um mosteiro. Equipes de resgate foram mobilizadas para combater incêndios, retirar vítimas dos escombros e prestar atendimento aos feridos.
A ofensiva ocorreu poucas horas depois de Putin receber, em São Petersburgo, o enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Steve Witkoff. Durante o encontro, o governo russo manifestou disposição para retomar as negociações trilaterais com Washington e Kiev, interrompidas desde fevereiro.
O assessor do Kremlin Yuri Ushakov informou que Moscou aceita, em princípio, voltar à mesa de negociações em novembro, com discussões voltadas à construção de garantias de segurança para o período posterior ao conflito. Entretanto, as exigências territoriais e militares russas continuam sendo obstáculos para um entendimento.
Zelensky reagiu duramente à nova ofensiva e criticou a postura de Moscou, que, ao mesmo tempo em que admite negociar o fim da guerra, mantém ataques contra cidades e infraestruturas ucranianas.
O presidente ucraniano defende que qualquer negociação seja precedida pela interrupção dos combates nas linhas de frente, além de garantias internacionais capazes de impedir novas ofensivas russas no futuro.
A escalada militar também ocorreu em território russo. Segundo autoridades de Moscou, a Ucrânia lançou centenas de drones contra a Rússia durante a madrugada. O governo russo afirmou que 630 aeronaves não tripuladas foram direcionadas à capital e que a maioria foi interceptada antes de atingir seus alvos. Houve registros de vítimas e danos em diferentes localidades.
A troca de ataques evidencia a distância entre os discursos diplomáticos e a realidade dos campos de batalha. Enquanto Washington tenta aproximar os dois governos, Rússia e Ucrânia continuam sustentando posições divergentes sobre territórios ocupados, segurança nacional e condições para um eventual cessar-fogo.
A guerra, iniciada com a invasão russa em fevereiro de 2022, já provocou milhares de mortes, deslocou milhões de pessoas e destruiu parte significativa da infraestrutura ucraniana.
A expectativa agora se concentra na possibilidade de uma nova rodada de negociações em novembro. Entretanto, os bombardeios desta quinta-feira reforçam a fragilidade das iniciativas diplomáticas e demonstram que, apesar dos sinais de abertura política, ainda não existe um compromisso efetivo de suspensão das hostilidades.
Enquanto Putin admite discutir a paz, os mísseis russos continuam atingindo a Ucrânia, ampliando o sofrimento da população civil e colocando em dúvida as perspectivas de um acordo capaz de encerrar a guerra.