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    porto velho, sábado 14 de março de 2026

Veja como votaram os parlamentares de RO na medida que pode elevar conta de luz

Apenas um deputado de Rondônia votou para manter o veto; maioria apoiou medida que pode elevar o custo da energia...


Por Amanda Oliveira, g1 RO

Publicada em: 20/06/2025 17:43:49 - Atualizado

Foto: Reprodução

PORTO VELHO, RO - A conta de luz pode ter um aumento de até 3,5% depois que o Congresso Nacional derrubou parte dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a um projeto que trata da geração de energia eólica em alto-mar. A votação aconteceu na última terça-feira (17).

Apenas um deputado de Rondônia votou para manter o veto e tentar barrar o trecho do projeto que, segundo entidades do setor elétrico, pode gerar aumento no custo da energia. A maioria da bancada do estado votou pela derrubada do veto e apoiou a medida que pode elevar o valor da conta de luz (veja abaixo como cada parlamentar votou).

A Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) e a Abrace Energia estimam que os pontos aprovados pelo Congresso podem gerar impacto de até R$ 197 bilhões no total — cerca de R$ 7,8 bilhões por ano até 2050. Esse custo deve ser repassado ao consumidor.

🔎 O presidente da República tem o direito de vetar dispositivos de projetos de lei e projetos de lei complementar aprovados pela Câmara e pelo Senado. Mas a decisão final cabe sempre aos parlamentares, que podem manter ou derrubar os trechos vetados.

Senadores

  • Confúcio Moura (MDB) — votou pela derrubada do veto
  • Jaime Bagattoli (PL) — votou pela derrubada do veto
  • Marcos Rogério (PL) — votou pela derrubada do veto
  • Deputados federais
  • Coronel Chrisóstomo (PL) — voto em branco
  • Cristiane Lopes (União) — abstenção
  • Dr. Fernando Máximo (União) — voto em branco
  • Lebrão (União) — votou pela derrubada do veto
  • Lúcio Mosquini (MDB) — votou para manter o veto
  • Maurício Carvalho (União) — votou pela derrubada do veto
  • Silvia Cristina (PP) — votou pela derrubada do veto
  • Thiago Flores (Republicanos) — votou pela derrubada do veto

Entenda o caso

Pontos que o Congresso incluiu na lei, que causam o aumento:

1- Obrigatoriedade de contratação de energia de pequenas centrais hidrelétricas: O texto determina a contratação compulsória de 4,9 GW, mesmo não havendo necessidade.

Hoje, de acordo com a consultoria de energia PSR, a contratação é condicionada ao crescimento da demanda das distribuidoras, em compasso com o consumo de energia no país. As associações estimam que este ponto sozinho provoca um aumento de R$ 140 bilhões no custo final até 2050.

"Ao impor contratações específicas sem justificativa técnica ou econômica, como a inclusão de 4,9 GW em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), o PL cria distorções. Embora as PCHs desempenhem um papel importante na matriz elétrica brasileira, sua contratação compulsória, sem planejamento adequado, agrava ainda mais a sobreoferta atual de energia no Brasil, aumentando a dificuldade em equilibrar oferta e demanda, ampliando os cortes de geração (curtailment) de energia renovável e gerando impactos financeiros significativos para o setor elétrico", diz a nota técnica das 12 entidades;

2- Contratação de hidrogênio líquido a partir do etanol na Região Nordeste e de eólicas na Região Sul: Impacto pode chegar a R$ 33 bilhões- R$ 28 bilhões do hidrogênio e R$ 5 bilhões das eólicas do sul, diz a frente;

3- Prorrogação contratual por 20 anos de contratos de compra de energia do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa): Impacto de R$ 24 bilhões.

Impacto

Segue o cálculo do impacto, enviado pelas associações, de acordo com cada trecho do projeto.

O que o Congresso retomou hoje, a partir da derrubada do veto (R$ 197 bilhões):

Obrigação de contratar energia de pequenas centrais hidrelétricas: R$ 140 bilhões;

Contratação de hidrogênio líquido a partir do etanol na Região Nordeste e de eólicas na Região Sul: Impacto pode chegar a R$ 33 bilhões- R$ 28 bilhões do hidrogênio e R$ 5 bilhões das eólicas do sul;

Prorrogação contratual por 20 anos de contratos de compra de energia do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa): Impacto de R$ 24 bilhões.

O que falta votar (R$ 348 bilhões):

Extensão do prazo para contratação de usinas a carvão: R$ 92 bilhões;

Obrigação de pagar por energia de térmicas a gás: R$ 155 bilhões;

Manutenção dos subsídios à energia solar: R$ 101 bilhões.

Impacto de todo o projeto: R$ 545 bilhões até 2050

O g1 entrou em contato com os deputados e senadores de Rondônia, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.


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