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    porto velho, terça-feira 28 de abril de 2026

Nova fase de Rogério combina alianças e revisão de postura soberba do passado

Marqueteiros, inclusive, pedem em tom exagerado, que Rogério se curve e beije a mão do eleitor....


Redação

Publicada em: 28/04/2026 10:13:08 - Atualizado

imagem - montagem rondonoticias/ia

PORTO VELHO-RO — A poucos passos do calendário oficial das convenções partidárias, o tabuleiro político em Rondônia ainda se move com cautela, mas já revela movimentos estratégicos que podem definir o rumo da disputa pelo Palácio Rio Madeira. Entre os pré-candidatos ao governo, articulações de bastidores começam a ganhar corpo, especialmente em torno do senador Marcos Rogério-PL.

Nos bastidores, o foco do parlamentar tem sido duplo: ampliar sua base de apoio político e reposicionar sua imagem junto ao eleitorado rondoniense. Nesse contexto, uma das frentes mais observadas é a tentativa de aproximação com o ex-governador Ivo Cassol, liderança ainda influente no estado e com forte capilaridade eleitoral no interior e disputada por todos os pretensos candidatos.

A eventual composição com Cassol é vista como estratégica. Além de agregar densidade política, pode representar um atalho para consolidar alianças regionais e reduzir resistências em segmentos onde Rogério ainda enfrenta desgaste. A movimentação, embora discreta, tem sido tratada como peça-chave no desenho da pré-campanha.

Paralelamente, há um esforço evidente no campo da comunicação. Integrantes da equipe do senador trabalham para recalibrar a percepção pública construída nas eleições anteriores, quando Rogério foi frequentemente associado a uma postura considerada pedante e irônica nos debates. A avaliação interna é de que essa imagem — classificada por adversários como soberba — precisa ser suavizada para ampliar o diálogo com o eleitor médio. Marqueteiros, inclusive, pedem em tom exagerado, que ele se curve e beije a mão do eleitor.

Nos círculos políticos, a leitura era clara: em eleições passadas, por carregar nome com peso nacional, Rogério teria adotado uma postura distante, olhando candidatos e eleitores “de cima para baixo”. Agora, a orientação de seus marqueteiros segue outro caminho — mais proximidade, mais presença e menos rigidez. A estratégia passa por gestos simples, mas simbólicos: sorrir mais, mão na mão, sustentar o olhar, dialogar com o eleitor e até com adversários sem o tom pejorativo que marcou sua trajetória recente.

Esse reposicionamento busca reconstruir pontes. A ideia é manter a firmeza no discurso, mas sem o verniz da superioridade que lhe rendeu críticas e, segundo analistas lhe causou a derrota no pleito que participou. Em um cenário onde a forma pesa tanto quanto o conteúdo, a mudança de postura é tratada como condição para ampliar competitividade.

Um dos que enxergam essa transformação é o jornalista Sérgio Pires. Para ele, o senador atravessa uma inflexão política e pessoal. “Rogério é outro homem. A soberba é coisa do passado”, avalia, indicando que o novo momento pode reposicionar o pré-candidato no jogo eleitoral com favoritismo.

Por outro lado, embora seja um nome de projeção nacional, o senador ainda enfrenta o desafio de traduzir essa visibilidade em identificação local. Em Rondônia, onde o eleitorado tende a valorizar proximidade e pragmatismo, o capital político não se sustenta apenas em Brasília — exige enraizamento e Rogério tem dificuldades evidentes, dizem analistas.

Enquanto isso, outros pré-candidatos mantêm suas estratégias em compasso de espera, postergando definições mais claras para o período das convenções. A escolha de vices, alianças formais e estrutura de campanha ainda estão em aberto, o que mantém o cenário fluido e sujeito a mudanças rápidas.

Nesse ambiente, a movimentação de Marcos Rogério sinaliza que a disputa começa a sair do campo das intenções e entrar na fase de construção concreta. Mais do que ocupar espaço, o momento exige ajuste fino — porque, na política, imagem humilde também é território de disputa.


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