Fundado em 11/10/2001
porto velho, quarta-feira 7 de janeiro de 2026

PORTO VELHO-RO: A sucessão estadual em Rondônia começa a ganhar contornos mais definidos — e menos promissores para a esquerda neste início de ano. Nos bastidores, cresce a avaliação de que o senador Confúcio Moura-MDB pode não levar adiante a pré-candidatura ao governo do Estado. O motivo central seria a rejeição consistente que enfrenta em um eleitorado majoritariamente identificado com o bolsonarismo, realidade que tem imposto obstáculos à construção de palanques progressistas no estado.
Aliados relatam que a chamada “caminhada da esperança”, slogan que buscava reanimar a base de esquerda, perdeu tração no interior do Estado, antes mesmo de ganhar as ruas definitivamente. Em Cacoal, arregimentou poucos seguidores e em Vilhena foi o verdadeiro fiasco. Por conta disso, Confúcio teria confidenciado a amigos que, diante do ambiente político adverso e da dificuldade de ampliar densidade eleitoral, a disputa ao Executivo estadual passou a ser reavaliada com pragmatismo. O recuo, se confirmado, não seria fruto de desistência pessoal, mas de leitura fria do cenário.
Rondônia segue como um dos estados mais resistentes à narrativa progressista. A identificação com pautas conservadoras permanece forte, enquanto o desempenho nacional do governo Luiz Inácio Lula da Silva não tem servido, localmente, como vetor de mobilização. Pelo contrário: a percepção de um Planalto “patinando” tem dificultado a transferência de capital político para candidaturas alinhadas à esquerda no plano estadual.
Esse quadro explica por que, às vésperas do calendário eleitoral, o campo progressista encontra dificuldades para lançar nomes competitivos. Faltam musculatura eleitoral, alianças amplas e, sobretudo, sintonia com um eleitorado que, nas últimas eleições, se mostrou refratário a projetos associados ao lulismo.
Caso Confúcio opte por não disputar o governo, a esquerda rondoniense entra na corrida ainda mais fragmentada, sem um nome de projeção capaz de unificar o campo e enfrentar candidaturas ancoradas no discurso conservador. O movimento, embora silencioso, tende a redesenhar o tabuleiro político e expor, com mais nitidez, o isolamento progressista em um estado onde o bolsonarismo segue como força hegemônica.