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porto velho, sábado 17 de janeiro de 2026

RONDÔNIA - O ex-deputado federal Expedito Netto, mesmo sem substância política relevante, protagonizou um movimento que, por si só, já cumpriu um desígnio que chamou a atenção dos cultores da seara política: ao deixar o PSD e se filiar ao PT com o discurso de disputar o Governo de Rondônia, retirou o partido do estado de inércia em que se encontrava e o recolocou no centro do debate eleitoral.
Em um território majoritariamente bolsonarista e historicamente hostil à esquerda, o simples gesto de Netto devolveu visibilidade a uma legenda que andava sem rumo, sem nomes e fora do noticiário.
Mesmo sem capital eleitoral expressivo e distante da identidade ideológica petista, Expedito Netto fez aquilo que a militância vermelha não conseguia há meses: atrair holofotes. Na linguagem popular da política, “puxou a pena e veio a galinha”. Ao se lançar como pré-candidato, acabou arrastando consigo um PT enfraquecido, órfão de lideranças e sem projeto competitivo após o fracasso da chamada “Caminhada da Esperança”, que tentou percorrer o interior do estado, mas terminou esvaziada e sem tração.
O movimento de Netto não foi neutro. Custou-lhe antigos aliados, aprofundou fissuras políticas e escancarou o rompimento com o próprio pai, ex-senador Expedito Júnior. Ao farejar espaço em um partido carente de quadros e, sobretudo, de votos, agarrou a oportunidade como quem encontra uma boia em mar revolto. Passou, assim, a se apresentar como alternativa à sucessão do governador Marcos Rocha, ainda que sem base sólida, grupo estruturado ou garantias internas.
Nos bastidores do PT, há quem reconheça que a aposta pode não ir além do simbolismo. A legenda sabe que dificilmente Expedito Netto reúne musculatura eleitoral para vencer, mas também entende que sua filiação já cumpriu uma função estratégica: recolocar o partido na ribalta da política estadual. “Se servir para nos reposicionar no noticiário, a missão está cumprida”, resumiu um dirigente petista.
O futuro da candidatura é incerto. Expedito Netto não tem a segurança de passar incólume pelas disputas internas da esquerda, tampouco a garantia de ter o nome homologado em convenção. Pode ser ungido, pode ser descartado.
Se acabar rifado, restará ao menos o registro de um feito raro: o de alguém que, mesmo sem prestígio político consistente, conseguiu bagunçar o tabuleiro eleitoral de Rondônia com eficiência maior do que a da própria oposição.