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    porto velho, sábado 14 de março de 2026

Marcos Rocha reorganiza governo e esfria especulações sobre disputa ao Senado

Durante entrevistas recentes, o chefe do Executivo rondoniense chegou a deixar nas entrelinhas que sua decisão dependeria quase de um “milagre de Deus”...


Redação

Publicada em: 14/03/2026 10:53:22 - Atualizado

Foto: edição Rondonoticias

RONDÔNIA - O tabuleiro político de Rondônia começou a ganhar novos contornos esta semana. Com discrição e sem anúncios diretos, o governador Marcos Rocha (PSD) parece estar dissipando, pouco a pouco, as dúvidas que pairavam sobre uma eventual candidatura ao Senado nas eleições de 2026.

Durante entrevistas recentes, o chefe do Executivo rondoniense chegou a deixar nas entrelinhas que sua decisão dependeria quase de um “milagre de Deus”. A frase, repetida em diferentes ocasiões, alimentou a expectativa de que o governador pudesse deixar o Palácio Rio Madeira antes do fim do mandato para entrar na corrida por uma vaga no Congresso Nacional.

Entretanto, os sinais que agora emergem do próprio governo apontam em outra direção.

Na quarta-feira, 11 de março, Marcos Rocha assinou uma série de decretos promovendo mudanças no comando de três secretarias consideradas estratégicas para a gestão estadual: Finanças, Saúde e Educação. Embora assinados no mesmo dia, todos os atos administrativos estabeleceram que as mudanças passariam a valer a partir de 12 de março.

Na Secretaria de Estado de Finanças (Sefin), foi oficializada a exoneração de Luis Fernando Pereira da Silva. No mesmo pacote de decretos, o então secretário adjunto da pasta, Franco Maegaki Ono, também deixou o cargo que ocupava. Na sequência, um novo decreto nomeou o próprio Franco Maegaki Ono como titular da secretaria.

Já na Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), o governo formalizou a saída de Jefferson Ribeiro da Rocha. Para assumir o comando da pasta, foi nomeado por suposta indicação do prefeito de Cacoal Adailton Fúria, o médico Edilton Oliveira dos Santos, com início das funções igualmente a partir de 12 de março.

A terceira mudança ocorreu na Secretaria de Estado da Educação (Seduc). Albaniza Batista de Oliveira foi exonerada do cargo, sendo substituída por Massud Jorge Badra Neto, que passa a responder pela pasta.

À primeira vista, as alterações seguem o padrão administrativo de reorganização de governo. Porém, no ambiente político, o gesto tem sido interpretado como algo mais profundo.

Trocar simultaneamente os titulares de três áreas sensíveis da administração — finanças públicas, saúde e educação — não costuma ser movimento de quem se prepara para deixar o cargo. Pelo contrário. É o tipo de rearranjo que sinaliza intenção de reorganizar a máquina estatal e conduzir pessoalmente os próximos ciclos da gestão que finda este ano.

Nos bastidores da política rondoniense, cresce a percepção de que o chamado “milagre de Deus”, mencionado anteriormente pelo governador como condição para disputar o Senado, começa a ser discretamente extirpado da equação política.

Se essa leitura estiver correta, o que se vê agora é um Marcos Rocha menos inclinado a abandonar o governo e mais disposto a ajustar o próprio time para atravessar o restante do mandato com estabilidade administrativa, corrigindo rotas.

Na política, muitas decisões não são anunciadas — são reveladas pelos movimentos. E, neste momento, os movimentos do governador parecem dizer mais do que qualquer declaração pública.


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