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porto velho, quinta-feira 16 de abril de 2026

PORTO VELHO (RO) — O tabuleiro político da capital, com vistas às eleições de outubro, ganhou, nos últimos dias, um daqueles movimentos que não passam despercebidos — e tampouco deixam espaço para interpretações ingênuas. O advogado Ricardo Frota, até então identificado com o discurso da direita bolsonarista, protagonizou uma mudança brusca de posicionamento ao se filiar ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) e assumir a condição de pré-candidato ao governo do estado.
A guinada chama atenção pela velocidade e pelo contraste. Na última eleição municipal, Frota construiu sua imagem pública ancorado no apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, defendendo pautas conservadoras e se apresentando como um nome afinado com o eleitorado de direita. À época, disputando pelo Partido Novo obteve 4.369 votos — um desempenho expressivo para quem estreava nas urnas. Agora, no entanto, cenário é outro — e a mudança, evidente.
A entrada no PDT foi oficializada pelo ex-senador Acir Gurgacz, principal liderança da legenda em Rondônia, que apresentou Frota como peça estratégica no projeto de reestruturação do partido no estado. Mais do que um simples reforço, o gesto sinaliza uma aposta política clara: ampliar o alcance da sigla incorporando nomes capazes de dialogar com diferentes espectros do eleitorado.
Nos bastidores, a leitura é direta. A migração de Frota não apenas rompe com sua trajetória recente, como também expõe a fragilidade das fronteiras ideológicas no ambiente político atual. Em um intervalo curto de tempo, o discurso que antes orbitava a direita mais alinhada ao bolsonarismo dá lugar a uma candidatura abrigada em um partido historicamente vinculado à centro-esquerda e à base do governo federal.
A mudança repentina inevitavelmente levanta questionamentos. Há quem enxergue no movimento uma reavaliação de posicionamentos; outros, porém, interpretam como uma escolha pragmática, guiada pelas circunstâncias eleitorais e pelas oportunidades abertas no tabuleiro político.
Enquanto o debate se intensifica, um dado é incontornável: a pré-candidatura de Ricardo Frota nasce sob o signo da contradição — e, ao mesmo tempo, da curiosidade pública. Em um estado marcado por forte inclinação conservadora, sua nova posição política não apenas desafia narrativas consolidadas, como também testa os limites da memória e da coerência no eleitorado.
No fim das contas, o episódio reforça uma máxima recorrente nos bastidores do poder: na política, mudanças acontecem — mas nem todas passam em silêncio.