• Fundado em 11/10/2001

    porto velho, segunda-feira 15 de junho de 2026

Falta de identidade com a esquerda esvazia projeto de Expedito Netto ao Governo

A principal dificuldade apontada por observadores políticos está justamente na falta de conexão histórica...


Redação

Publicada em: 11/06/2026 08:32:32 - Atualizado

PORTO VELHO — RO: Quando surgiu nos bastidores da política rondoniense, a pré-candidatura de Expedito Netto ao governo do Estado pelo PT pretendia representar uma tentativa de reposicionamento da esquerda no cenário eleitoral de 2026. Meses depois, porém, o projeto perdeu visibilidade, enfrenta resistências internas e ainda busca uma identidade capaz de mobilizar a militância e dialogar com o eleitorado.

A principal dificuldade apontada por observadores políticos está justamente na falta de conexão histórica entre o pré-candidato e as bandeiras tradicionalmente defendidas pelo Partido dos Trabalhadores. Embora tenha recebido apoio de setores da legenda, Netto carrega em sua trajetória posições que o distanciaram do campo petista durante boa parte de sua vida pública.

O episódio mais lembrado é o voto favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016. Enquanto o PT sustenta até hoje que o processo representou um golpe institucional, o então deputado federal posicionou-se ao lado da maioria que aprovou o afastamento da petista. A lembrança desse capítulo continua sendo um dos principais obstáculos para consolidar sua aceitação entre os militantes mais identificados com a história do partido.

Nos bastidores, a avaliação é que a candidatura jamais conseguiu despertar entusiasmo genuíno na base vermelha. O apoio institucional existe, mas a empolgação não acompanhou o discurso oficial. Entre filiados históricos, permanece a sensação de que o projeto foi construído mais por necessidade estratégica do que por afinidade ideológica.

A dificuldade de identificação tornou-se ainda mais evidente diante do perfil político de Rondônia. Em um estado onde o conservadorismo exerce forte influência eleitoral, a candidatura petista já parte de uma posição desafiadora. Quando o próprio candidato não possui raízes profundas junto à militância tradicional da legenda, o desafio se multiplica.

Nem mesmo a aproximação com figuras nacionais do partido foi suficiente para alterar essa percepção. Pelo contrário. Para alguns setores do eleitorado local, imagens e encontros com lideranças históricas da esquerda ampliaram resistências já existentes, sem produzir ganhos perceptíveis dentro do próprio PT.

O resultado é um cenário de baixa mobilização. Sem atos de grande repercussão, sem forte presença no debate público e sem uma narrativa capaz de reconciliar passado e presente, a pré-candidatura perdeu espaço na agenda política estadual.

Na política, identidade costuma ser um ativo tão importante quanto estrutura partidária. E é justamente nesse terreno que o projeto de Expedito Netto enfrenta sua maior dificuldade. Para parte dos observadores, falta ao pré-candidato aquilo que costuma ser indispensável para liderar uma candidatura petista: reconhecimento espontâneo da própria militância e identificação clara com a cor vermelha que simboliza o partido.

Por enquanto, a pré-candidatura segue existindo formalmente, mas distante do protagonismo que se imaginava quando foi lançada. Entre a resistência interna e as dificuldades externas, o desafio continua sendo transformar uma filiação partidária em identidade política efetiva.


Fale conosco