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porto velho, quinta-feira 18 de junho de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta quinta-feira (18/06) recebeu o ex-senador Acir Gurgacz, que confirmou sua pré-candidatura ao Senado Federal e fez duras críticas à concessão da BR-364, ao modelo atual de cobrança de pedágio e à falta de planejamento para o desenvolvimento econômico de Rondônia.
Durante a entrevista, Acir afirmou que sua candidatura ao Senado está juridicamente assegurada e descartou qualquer impedimento para disputar as eleições de 2026.

“Hoje, do ponto de vista jurídico, está confirmada a minha pré-candidatura ao Senado Federal, sem nenhum problema e sem nenhuma discussão com relação a isso”, declarou.
Embora tenha admitido que recebeu convites e incentivos para disputar o Governo de Rondônia, o ex-senador afirmou acreditar que poderá contribuir mais com o estado atuando novamente no Congresso Nacional.
“Tenho ouvido muitas pessoas pedindo para que a gente venha para a candidatura ao Governo, mas entendo que posso ajudar muito mais Rondônia no Senado, através das relações e alianças construídas ao longo dos anos nos ministérios e órgãos federais”, destacou.
Ao abordar o desenvolvimento econômico do estado, Acir defendeu a industrialização da produção agropecuária como principal caminho para gerar emprego e evitar a saída de jovens rondonienses em busca de oportunidades em outras regiões do país.
“Nós não podemos continuar vendendo tudo como commodity. Precisamos industrializar aquilo que produzimos aqui. Os jovens se formam e vão embora porque não encontram oportunidades de emprego de qualidade em Rondônia”, afirmou.
O ex-senador também defendeu a criação de novas estruturas industriais na capital e citou o potencial econômico da região de Porto Velho.
“Temos mais de um milhão de cabeças de gado na região e mandamos abater esse gado fora da capital. Precisamos de grandes frigoríficos, agroindústrias e investimentos que agreguem valor ao que produzimos”, argumentou.
BR-364 e pedágio
Um dos momentos mais contundentes da entrevista ocorreu quando Acir comentou a concessão da BR-364. Ele criticou duramente o modelo implantado e responsabilizou a bancada federal por não ter impedido a cobrança de pedágio antes da execução das obras de duplicação.

“Eu sou totalmente contra esta fórmula do pedágio da BR-364. Sempre defendi que primeiro deveria ocorrer a duplicação da rodovia para depois iniciar a cobrança. Não sou contra pedágio, sou contra cobrar antes de entregar a obra”, afirmou.
Segundo ele, a proposta defendida durante seu mandato previa que a empresa vencedora realizasse a duplicação da rodovia com financiamento e somente depois implantasse as praças de cobrança.
“O contrato foi assinado e agora não adianta querer espernear. Eu avisei que isso iria cair no colo da bancada federal. Foi uma grande falha permitir que esse modelo avançasse”, declarou.
Acir também classificou como insuficientes algumas medidas adotadas após a concessão.
“O caminho não é CPI. O que precisa ser feito agora é buscar mecanismos para acelerar a duplicação e reduzir o impacto do pedágio para a população”, acrescentou.
Transposição e pautas federais
Ao comentar a situação dos servidores transpostos, o ex-senador afirmou que continua acompanhando as negociações em Brasília ao lado de representantes sindicais e classificou a demora como injustificável.
“É uma novela que se arrasta há muitos anos. Continuamos ajudando dentro das nossas possibilidades para que os processos avancem mais rapidamente”, disse.
Já sobre as principais bandeiras que pretende defender em um eventual retorno ao Senado, Acir apontou a necessidade de revisar pontos da legislação ambiental que impactam diretamente o setor produtivo.
“Precisamos fazer ajustes no Código Florestal. Não estou falando em retirar proteção ambiental, mas em adequar a legislação à realidade de Rondônia. Hoje existem muitas restrições que acabam travando investimentos e a produção”, afirmou.
O ex-senador também defendeu mudanças nas regras para manejo florestal e aproveitamento sustentável da madeira, argumentando que o modelo atual está excessivamente burocrático.
“O produtor precisa ter mais condições de utilizar sua propriedade dentro da legalidade. Hoje muitas regras acabam impedindo o desenvolvimento econômico sem trazer resultados proporcionais para a preservação”, concluiu.
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