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porto velho, segunda-feira 24 de agosto de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta segunda-feira (24/8) recebeu o ex-senador e ex-ministro da Previdência Amir Lando, que revelou bastidores de sua substituição na chapa do MDB em Rondônia. Segundo ele, seu nome havia sido aclamado para ocupar a vaga de vice, mas acabou retirado sem comunicação e sem que tivesse apresentado qualquer renúncia.
Questionado por Arimar sobre o que ocorreu dentro do partido, Lando explicou que inicialmente se preparava para disputar uma vaga de deputado federal. O cenário mudou quando surgiu a possibilidade de o senador Confúcio Moura não concorrer novamente ao Senado.
Diante da possível abertura da vaga, Lando passou a construir uma candidatura ao Senado. Posteriormente, com a decisão de Confúcio de permanecer na disputa, ele abandonou o projeto.
“Quando essa reversão era direito absoluto do senador Confúcio, a vaga era dele. Eu jamais iria prejudicá-lo. Aí eu retirei, levantei o trem de pouso”, relatou.
Segundo Lando, quando o cenário voltou a mudar, já não havia tempo suficiente para reconstruir uma candidatura ao Senado, enquanto o projeto para deputado federal também havia ficado para trás. Foi então que surgiu a possibilidade de integrar uma chapa majoritária como candidato a vice.
O ex-senador afirmou que não tinha interesse inicial na posição, mas aceitou colocar o nome à disposição para atender ao partido. De acordo com seu relato, a indicação chegou a ser formalizada em ata.
“Eu não tinha interesse, mas, para servir o partido, o meu nome ficou gravado na ata como aclamado para vice”, afirmou.
O episódio, porém, tomou outro rumo. Amir Lando disse que acabou substituído posteriormente e classificou a forma como a mudança ocorreu como irregular. Questionado por Arimar se a retirada havia ocorrido de maneira abrupta, ele afirmou que sequer foi comunicado formalmente.
“Houve simplesmente uma substituição sem comunicação, como se eu tivesse renunciado. Eu nunca renunciei”, declarou.
Apesar do episódio, Lando afirmou que não pretende deixar o MDB nem transformar a disputa interna em rompimento político. O ex-senador confirmou que continuará na legenda e declarou apoio ao candidato do partido.
“Eu vou continuar. Vou apoiar o nosso candidato, no pouco de prestígio que me resta, mas eu quero que o Pedro se eleja”, disse.
MDB “parou no tempo”, avalia Lando
Embora tenha decidido permanecer na legenda, Amir Lando fez uma avaliação crítica sobre a atual situação do MDB. Para ele, o partido carrega uma história importante na redemocratização brasileira e na política de Rondônia, mas não conseguiu acompanhar as transformações políticas e sociais.
Ao recordar nomes históricos da sigla, como Ulysses Guimarães, Teotônio Vilela, Valdir Raupp, Jerônimo Santana e Ângelo Angelim, Lando defendeu uma reconstrução partidária capaz de recuperar princípios e apresentar propostas para as novas gerações.
“Não pode ser meramente uma ferramenta eleitoral, sem ideologia nenhuma, sem princípios programáticos”, afirmou.
Questionado se o MDB havia parado no tempo e perdido o rumo da própria história, Lando concordou que faltou renovação.
“Não se reciclou no momento certo. Não teve a grandeza da mudança”, avaliou.
“Rondônia regrediu”
As críticas do ex-ministro não ficaram restritas ao MDB. Ao ser questionado sobre a evolução da classe política de Rondônia, Lando apresentou uma avaliação dura sobre os atuais representantes do Estado.
“Eu acho que nós regredimos, regredimos, não evoluiu”, afirmou.
Para estabelecer uma comparação, citou antigos representantes de Rondônia e destacou a atuação de Jerônimo Santana, que classificou como um político combativo e disposto a fazer denúncias.
Na avaliação de Lando, essa postura perdeu espaço na política atual.
“Aqui ninguém denuncia nada. Aparece um ilícito aí, dinheiro vivo pra cá, pra lá, e ninguém faz nada, todo mundo silencia. E isso eu não tolero”, declarou.
Em seguida, resumiu sua visão sobre o peso adquirido pelas emendas parlamentares na atividade política.
“Eu acho que a política hoje se resume no mercado persa das emendas. Não tem mais ideias, não tem mais combate”, disparou.
Ex-senador critica enriquecimento de políticos
Durante a entrevista, Amir Lando também defendeu que o eleitor observe a evolução patrimonial dos candidatos e a forma como os recursos públicos são utilizados.
Segundo ele, quem entra na política deve atuar para servir à sociedade, e não utilizar o mandato como instrumento de enriquecimento.
“Eu sou contra qualquer desvio do dinheiro público para benefício próprio. Quem quer ir para a política é para servir o povo. Jamais se servir”, declarou.

Sem citar nomes nesse trecho da entrevista, Lando afirmou observar casos de políticos cujo patrimônio teria aumentado dezenas de vezes. Ele usou a própria trajetória para estabelecer um contraponto.
“Eu posso dizer que, na minha ação política de deputado estadual, de senador duas vezes, eu diminuí meu patrimônio. Eu não acrescentei nada”, afirmou.
Em outro momento, voltou ao tema ao defender ética e decência na vida pública.
“Nós não queremos ladrões. Nós não queremos aqueles que vêm para extrair vantagem ilícita. Nós queremos pessoas que querem construir um Estado promissor para as gerações futuras”, disse.
Pedágio da BR-364 e bancada entram na mira
A atuação da bancada de Rondônia também recebeu críticas quando a entrevista abordou a BR-364. Amir Lando afirmou que os representantes do Estado não reagiram de maneira adequada ao modelo de pedágio adotado na rodovia.
Para ele, a prioridade histórica deveria ter sido a duplicação da BR-364, especialmente diante da quantidade de acidentes e mortes registrados na principal rodovia federal que corta Rondônia.
“Todo mundo passou em silêncio diante desse pedágio absurdo”, afirmou.
Lando relacionou diretamente essa postura à falta de compromisso político com os interesses do Estado.
“É essa bancada que não tem consciência, que não tem compromisso, que não ama essa gente, porque quem gosta de Rondônia defende os interesses de Rondônia”, declarou.
Debates ao Governo são “mornos e pouco objetivos”
Já ao analisar a corrida pelo Governo de Rondônia, Amir Lando também não poupou críticas. Arimar questionou o ex-senador sobre o nível dos debates entre os candidatos e afirmou considerar as discussões pouco propositivas. Lando concordou.
“Eu acho que esse debate foi um debate muito morno, pouco objetivo”, avaliou.
Para o ex-ministro, administrar Rondônia exige mais do que vontade de ocupar o cargo. Ele defendeu conhecimento de gestão pública, planejamento e uma concepção política definida antes de assumir o governo.
“Não é querer governar sem ter uma mínima ideia do que seja essa gestão pública, do que seja política”, afirmou.
Lando também criticou a ausência de propostas mais claras para a industrialização de Rondônia. Segundo ele, o Estado continua essencialmente exportador de matérias-primas, apesar da força da produção de grãos, carne e recursos minerais.
Ao longo da entrevista, o ex-senador defendeu que a eleição de 2026 seja marcada pela cobrança por coerência, ética e projetos concretos. Para ele, a atividade política não pode ser reduzida à conquista de mandatos ou à distribuição de recursos.
“A política não se faz só com cargos. Se faz com ideias, com participação”, resumiu.
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