• Fundado em 11/10/2001

    porto velho, segunda-feira 31 de agosto de 2026

Cristiane Lopes recebe um “caminhão” de recursos do fundo partidário

Deputada recebeu o dobro do valor destinado à correligionária Euma Tourinho...


Redação

Publicada em: 31/08/2026 09:48:10 - Atualizado


PORTO VELHO-RO: A deputada federal Cristiane Lopes (PODE) ganhou um poderoso empurrão financeiro para tentar continuar por mais quatro anos na Câmara dos Deputados. A parlamentar recebeu R$ 1,2 milhão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o chamado fundão eleitoral, para bancar sua campanha pela reeleição.

O valor é o maior destinado a um candidato do Podemos à Câmara Federal em Rondônia e chama atenção principalmente quando comparado ao desempenho político de Cristiane Lopes ao longo do mandato.

Para se ter dimensão da diferença, a deputada recebeu praticamente o dobro dos recursos destinados à correligionária Euma Tourinho, ex-juíza que também disputa uma cadeira na Câmara e recebeu pouco mais de R$ 600 mil.

Se dinheiro fosse sinônimo de desempenho parlamentar, Cristiane Lopes largaria como favorita. O problema é que eleição também exige apresentar serviço, presença política e resultados capazes de convencer o eleitor de que vale a pena renovar o mandato.

E é justamente nesse terreno que começam as dificuldades.

Cristiane chegou a Brasília carregando a força eleitoral, vinda da televisão, conquistada principalmente em Porto Velho, mas atravessou os últimos quatro anos sem se transformar em uma liderança de peso da bancada federal de Rondônia. Sua atuação permaneceu discreta, no baixo clero, distante do protagonismo esperado de quem recebeu do eleitor a oportunidade de representar o Estado no Congresso Nacional.

Enquanto outros parlamentares buscaram ocupar espaços em comissões, debates nacionais, articulações políticas e temas de maior repercussão, Cristiane raramente apareceu como protagonista. Para uma deputada que agora pede mais quatro anos de mandato, a falta de uma marca política clara poderá custar caro.

O fundão milionário chega, portanto, em boa hora.

Cristiane terá de utilizar parte dessa estrutura para tentar reconstruir uma presença política que perdeu força ao longo do mandato e enfrentar candidaturas femininas que avançam exatamente sobre sua principal base eleitoral. Sofia Andrade (PL), Jaqueline Cassol (PSD) e Elis Regina (UNIÃO) estão entre os nomes que disputarão espaço especialmente em Porto Velho.

Há ainda outros problemas na bagagem eleitoral.

Os gastos com combustível pagos por meio da cota parlamentar também passaram a incomodar a imagem da deputada. Valores considerados elevados ganharam repercussão e colocaram Cristiane diante de questionamentos sobre despesas bancadas com dinheiro público.

Para uma parlamentar cuja atuação política não ficou marcada por grandes embates ou conquistas de forte repercussão, aparecer no noticiário justamente por despesas parlamentares certamente não é o tipo de protagonismo que qualquer candidato gostaria de levar para uma campanha.

Outro ponto delicado está no comportamento de Cristiane Lopes em votações na Câmara. Em diferentes momentos, a deputada acompanhou orientações da base governista ligada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em um Estado onde o eleitorado conservador possui peso significativo, seus adversários dificilmente deixarão esse histórico passar despercebido.

Cristiane, portanto, entra na eleição carregando uma situação curiosa: tem dinheiro de sobra para fazer campanha, mas terá de trabalhar muito para mostrar ao eleitor o que fez com o mandato que já recebeu.

A pergunta incômoda tende a acompanhá-la até outubro: qual foi, afinal, a grande marca deixada por Cristiane Lopes em quatro anos na Câmara Federal?

Até agora, talvez seja mais fácil encontrar o valor do fundão destinado à sua campanha do que apontar uma realização parlamentar capaz de definir seu mandato.

Com R$ 1,2 milhão de dinheiro público à disposição, Cristiane Lopes terá estrutura para espalhar sua imagem novamente pelas ruas, redes sociais e programas eleitorais.

O desafio será convencer o eleitor de que, desta vez, haverá mais conteúdo por trás da propaganda do que apetite para gastar dinheiro com combustível.



Fale conosco