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porto velho, quarta-feira 30 de setembro de 2026

PORTO VELHO - RO - A regularização fundiária e a aplicação de recursos em infraestrutura colocaram Adailton Fúria (PSD) e Marcos Rogério (PL) em confronto direto durante o debate da Rede Amazônica, realizado na noite de terça-feira (29).
No primeiro embate, Fúria questionou o adversário sobre a demora na transferência de competências hoje concentradas em órgãos federais para que Rondônia possa avançar na emissão de títulos de propriedade.
Marcos Rogério respondeu que pretende buscar a transferência para o Estado de áreas passíveis de regularização e criar uma estrutura própria para acelerar os processos e reduzir a dependência de decisões tomadas em Brasília. A proposta, segundo o candidato, permitiria ao governo estadual assumir maior protagonismo na questão fundiária.
Fúria, entretanto, direcionou a discussão para a trajetória política do senador e cobrou resultados de sua atuação no Congresso Nacional.
“Candidato, você tá aí em Brasília há 16 anos. Você sabe os caminhos”, afirmou.
Na sequência, o candidato do PSD questionou por que o problema não havia sido solucionado anteriormente e lançou uma provocação ao adversário: “Rapaz, é difícil acreditar que o senhor vai resolver agora como governador.”
Fúria também criticou a relação entre órgãos públicos e produtores rurais. Para ele, parte da atuação estatal estaria excessivamente concentrada na fiscalização e na aplicação de penalidades.
“O Estado só quer punir. O Estado só quer ferrar o produtor”, declarou.
Marcos Rogério respondeu trazendo para o confronto a relação política de Fúria com o atual governador, Marcos Rocha. “O candidato do atual governador é você. Você é candidato do partido do governador”, afirmou.
O senador sustentou que, justamente por ocupar o comando do Executivo, o próximo governador teria condições de estruturar um modelo estadual para acelerar a regularização fundiária, proposta que voltou a defender durante a réplica. A transferência de terras da União para o Estado já apareceu como tema em debates anteriores da campanha.
A divergência entre os dois continuou quando a discussão chegou a uma linha de crédito de R$ 1 bilhão destinada à infraestrutura.
Fúria defendeu que parte do financiamento seja utilizada para reforçar a capacidade operacional do Estado. Pela proposta apresentada no debate, R$ 400 milhões seriam direcionados à compra de máquinas, aquisição de usinas de asfalto e reestruturação do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem e Transportes (DER).
Os demais recursos seriam empregados diretamente em obras de pavimentação.
Marcos Rogério rejeitou essa divisão. Segundo ele, o montante obtido por meio da operação de crédito deve permanecer destinado às obras de infraestrutura, enquanto a aquisição de equipamentos deveria ser custeada por outra fonte.
“Esse recurso é pra infraestrutura. Pra comprar equipamentos, a gente tem que buscar o recurso em outra fonte”, afirmou.
O confronto evidenciou duas abordagens diferentes sobre a aplicação do financiamento: Fúria defendeu o fortalecimento da estrutura própria do Estado para execução de serviços, enquanto Marcos Rogério sustentou a preservação dos recursos para investimentos diretamente em obras.