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    porto velho, sábado 24 de janeiro de 2026

Mulheres vivem mais, mas sofrem mais doenças na terceira idade

Viver mais não quer dizer envelhecer com saúde. Entenda por que elas acumulam mais doenças e precisam de mais cuidados nos anos finais


Brazil Health

Publicada em: 23/01/2026 10:08:09 - Atualizado

Em praticamente todos os países do mundo, as mulheres vivem mais do que os homens. No Brasil, dados do IBGE mostram que a expectativa de vida feminina é, em média, sete anos maior.

Essa vantagem começa cedo, ainda na gestação, e se mantém ao longo de toda a vida. Mas, com o passar dos anos, surge um fenômeno que chama a atenção: embora vivam mais, as mulheres passam mais tempo convivendo com doenças crônicas, limitações funcionais e maior necessidade de cuidados contínuos.

Uma vantagem biológica que começa antes do nascimento

Desde a gestação, o sexo feminino apresenta maior resistência biológica. Estatísticas apontam taxas mais altas de prematuridade, complicações neonatais e mortalidade entre meninos nos primeiros anos de vida. Além disso, a presença de dois cromossomos X funciona como uma espécie de reserva genética, oferecendo maior proteção contra mutações ligadas a algumas doenças hereditárias.

Outro fator central é o papel do estrogênio. Ao longo da vida reprodutiva, esse hormônio protege ossos, músculos e o coração. Ele ajuda a manter níveis mais favoráveis de colesterol e a saúde dos vasos sanguíneos, o que explica a menor incidência de infarto e AVC em mulheres antes da menopausa, quando comparadas a homens da mesma faixa etária. Mesmo após a menopausa, esse benefício acumulado parece influenciar positivamente a longevidade.

Comportamento de saúde faz diferença

Fatores não biológicos também ajudam a explicar por que as mulheres vivem mais. De modo geral, elas procuram mais os serviços de saúde, fazem exames preventivos com mais regularidade e aderem melhor aos tratamentos de doenças crônicas. Esse comportamento favorece o diagnóstico precoce e o controle de condições que, se negligenciadas, poderiam ser fatais.

Já os homens, historicamente, se expõem mais a comportamentos de risco, como consumo excessivo de álcool e tabaco, além de maior envolvimento em acidentes, violência e atividades de trabalho perigosas. Esses fatores elevam a mortalidade masculina, sobretudo na juventude e na meia-idade, impactando diretamente a expectativa de vida.

Mais anos de vida, mais doenças crônicas

O paradoxo fica mais evidente na velhice. As mulheres tendem a morrer menos de forma súbita, mas passam mais anos vivendo com doenças crônicas e incapacitantes. Osteoporose, artrose, dores crônicas, depressão, ansiedade e demências são mais comuns no sexo feminino. Segundo a Organização Mundial da Saúde, elas vivem mais anos com incapacidade funcional do que os homens, exigindo acompanhamento médico prolongado e uma rede de cuidado mais ampla.

Esse fenômeno é conhecido na geriatria como o paradoxo da longevidade feminina: viver mais, mas nem sempre viver melhor. A maior sobrevida costuma vir acompanhada de desafios físicos, emocionais e sociais que impactam diretamente a qualidade de vida.

O desafio: transformar longevidade em qualidade de vida

A longevidade feminina é uma conquista da medicina e da sociedade, mas precisa vir acompanhada de estratégias que garantam autonomia e bem-estar. Investir em prevenção ao longo de toda a vida, manter atividade física regular, cuidar da saúde mental e realizar acompanhamento médico contínuo são medidas essenciais para reduzir o impacto das doenças crônicas.

Mais do que viver mais anos, o grande objetivo é viver esses anos com saúde, independência e qualidade. Esse é o verdadeiro desafio da longevidade no século XXI - especialmente para as mulheres.

*Texto escrito pela geriatra e clínica geral Julianne Pessequillo (CRM 160.834 - RQE 71.895), especializada em longevidade saudável e membro da Brazil Health





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