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    porto velho, terça-feira 13 de janeiro de 2026

Policial militar encontrado morto iria se casar 2 dias depois de desaparecer

Fabrício Gomes de Santana iria se casar no civil, na última sexta-feira (9/1). O corpo dele foi encontrado em um sítio, em Embu-Guaçu


METROPOLES

Publicada em: 12/01/2026 10:42:28 - Atualizado


BRASIL: O policial militar que foi encontrado morto no último domingo (11/1) após quatro dias desaparecido iria se casar no civil, na última sexta-feira (9). O corpo de Fabrício Gomes de Santana, de 40 anos, estava enterrado em um sítio, em Embu-Guaçu, na Região Metropolitana de São Paulo.

De acordo com a polícia, o corpo já foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Taboão da Serra e será encaminhado para o Cemitério Cerejeiras, no Jardim Ângela, zona sul da capital paulista. O enterro está marcado para acontecer nesta segunda-feira (12/1).

“O reconhecimento demorou porque foi realizado por meio de impressões digitais, e não por reconhecimento visual. A família permanece assistida pela Polícia Militar, por amigos e por um advogado da própria família”, afirmou a PM.

Desaparecimento de PM

Fabrício foi visto pela última vez na quarta-feira (7), em uma adega, na zona sul de São Paulo, onde teria se desentendido com um suposto traficante. A polícia ainda tenta acessar as câmeras de segurança do estabelecimento.

O carro do PM foi encontrado carbonizado no fim da tarde seguinte (8), em uma área de mata de Itapecerica da Serra, na região metropolitana.

Na madrugada de domingo, a polícia encontrou um corpo, também em uma área de mata, em um sítio, em Embu-Guaçu, a 15 km de Itapecerica.

Indícios apontam que o cabo pode ter sido vítima de um tribunal do crime. Até o momento, quatro pessoas foram presas sob suspeita de envolvimento no desaparecimento do policial.

Dos presos, sabe-se que três deles, detidos na sexta-feira (9), foram os últimos a ver o soldado com vida. O quarto é o dono do sítio onde o corpo foi encontrado, detido no domingo. O caseiro do local chegou a ser preso, mas foi liberado após a polícia concluir que, a princípio, ele não teve envolvimento com o crime.

O que os suspeitos disseram

Segundo relatos à polícia, Fabrício estava bebendo com dois conhecidos (identificados como Mirys Sthefanny Bezerra Siqueira e Isaque Duarte da Silva) e mais um terceiro desconhecido, identificado como Riclecio Cerqueira de Moraes.

Em depoimento, Isaque afirmou que conhece Riclecio do bairro e que pegou uma carona de moto com ele até a rua de sua casa na noite do desaparecimento. Ao chegar no local, avistou Fabrício e Mirys, uma mulher trans, ingerindo bebidas alcoólicas na garagem do sogro de Fabrício. Decidiu então se juntar à dupla.

Isaque informou conhecer Fabrício porque o policial já havia morado no bairro, mas não conhecia Mirys. Contou ainda que Riclecio decidiu ficar e beber junto com o grupo. Em determinado momento, segundo Isaque, Riclecio e Fabrício se desentenderam em razão de uma aposta de queda de braço.

Após o bate-boca, Riclecio teria dito que estava errado e deixado o local em sua motocicleta. Isaque conta que permaneceu no local com Fabrício e Mirys até por volta das 7h da manhã, quando saiu com o policial em seu veículo para uma padaria próxima.

De acordo com o depoimento, a mulher decidiu ficar no local, onde aguardaria o retorno de Fabrício. No trajeto até a padaria, segundo Isaque, ele e Fabrício foram abordados por um homem conhecido pelo apelido de “Gato Preto”.

Ao abordá-los, o indivíduo, que estava em um carro do modelo Gol “bola” e trabalha como motoboy, perguntou se a dupla havia estado com Riclecio e se tinham conhecimento de uma briga entre ele um policial.

Isaque afirmou que presenciou a discussão. Gato Preto então relatou que Riclecio havia chegado em sua casa e reclamado de Fabricio, dizendo que havia discutido com um “polícia”.

Neste momento, o PM, que estava ao lado de Isaque no carro, demonstrou nervosismo e afirmou que iria até o final da rua, em uma biqueira, para “conversar” com o homem, percebendo a repercussão da discussão.

À polícia Isaque afirmou ter tentado dissuadir o policial, sugerindo que resolvessem a situação depois., mas Fabrício insistiu em ir. Ao chegarem no local, foram recepcionados por aproximadamente seis pessoas, segundo o depoimento, cujas identidades Isaque não soube informar.

Ao saírem do veículo, os dois foram separados e o grupo passou a questionar se Fabrício estava armado. O policial respondeu que sim e teve dois revólveres retirados pelos suspeitos. Depois disso, Isaque afirma não ter tido mais contato visual com Fabrício.

Segundo o relato, um homem forte e de cabelos grisalhos conduziu Isaque até um local mais estreito da rua, onde passou a fazer diversas perguntas sobre a briga e se Fabrício era seu parente. Em determinado momento, um dos suspeitos teria afirmado que o policial seria morto.

O depoente calcula que ficou aproximadamente duas horas no local até ser liberado. Antes disso, um dos homens do grupo lhe disse que Fabrício já teria sido assassinado.

Ao sair, Isaque conta que notou que o veículo do policial não se encontrava mais no local. Ele também contou à polícia que não viu Riclecio na cena e que, depois disso, não teve mais notícias de Fabrício.

Suspeito negou desentendimento

Em seu depoimento, Riclecio negou qualquer desentendimento com Fabrício. Ele afirmou aos policiais que conhece Isaque por ser um conhecido traficante da região, o que foi negado pelo acusado, e confirmou que estava com Isaque em sua moto quando este lhe pediu que o deixasse em um local onde Fabrício e Mirys estavam bebendo, por volta da meia-noite.

Segundo o relato, Riclecio deixou Isaque no local e saiu para buscar cerveja antes de juntar de vez ao grupo, com quem permaneceu até por volta de 3h da manhã. Disse também que, nesse meio tempo, levou Mirys em sua motocicleta duas vezes até uma biqueira para que ela adquirisse drogas, retornando em seguida.

Aos policiais Riclecio disse que não houve nenhuma briga entre os presentes e que, inicialmente, não sabia que Fabricio era policial, tendo tomado conhecimento disso apenas após a segunda vez em que retornava da biqueira.

Ele ainda declarou ter consumido drogas junto com Isaque e Mirys, mas que o policial não fez uso do entorpecentes, apenas de bebidas. O depoente ainda disse que deixou os três no local e ainda passou em outros três bares antes de ir para casa dormir, já amanhecendo.

Após acordar, por volta do meio-dia de quinta-feira, Riclecio contou aos policiais ter recebido uma ligação de Mirys questionando se sabia do paradeiro de lsaque. Ele respondeu que não sabia e a avisaria caso soubesse de algo.

Carro encontrado carbonizado

No fim daquela tarde, dia seguinte ao desaparecimento, a polícia foi informada que o veículo do policial, modelo Ford Ka, havia sido encontrado carbonizado em uma estrada de terra no bairro Jardim Mombaça, em Itapecerica da Serra.

Paralelamente, a equipe da Delegacia de Itapecerica obteve imagens de uma câmera de segurança mostrando o veículo da vítima andando pela rua Richard Beck, uma via de terra batida, em Itapecerica, por volta das 16h30 de quinta-feira (8/10).


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