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porto velho, sexta-feira 20 de fevereiro de 2026

A chegada de um novo relator ao caso Master no Supremo Tribunal Federal abriu uma nova fase na condução do processo e acentuou um debate interno sobre os limites entre supervisão judicial e autonomia investigativa.
O ministro André Mendonça afirmou a interlocutores que a Polícia Federal terá “carta branca” para conduzir as investigações. A declaração foi recebida dentro da Corte como um sinal de mudança de postura — menos intervenção direta do gabinete do relator e maior liberdade operacional para os investigadores.
A nova diretriz contrasta com a linha adotada anteriormente pelo ministro Dias Toffoli, que havia estabelecido um controle mais rigoroso sobre o andamento das diligências.
Durante sua atuação, Toffoli determinou que materiais apreendidos em uma das operações permanecessem sob a guarda do próprio gabinete. Também restringiu a análise das provas a peritos previamente designados, medida vista por investigadores como um modelo atípico de centralização da apuração.
A substituição na relatoria ocorre em momento considerado sensível, com divergências sobre até onde o Judiciário deve intervir no trabalho policial antes da conclusão das investigações.
O caso evidenciou posições distintas entre ministros a respeito do papel da Polícia Judiciária em apurações que podem alcançar autoridades com prerrogativa de foro.
Nos bastidores, o ministro Alexandre de Moraes teria manifestado críticas à forma como a investigação vinha sendo conduzida. Em reunião reservada que resultou no afastamento de Toffoli da relatoria, coube a ele externar preocupações sobre a validade jurídica de eventuais achados.
Segundo relatos, Moraes alertou o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, de que, caso surgissem elementos envolvendo autoridades com foro privilegiado, a investigação não poderia prosseguir nos mesmos moldes. Na avaliação atribuída ao ministro, a continuidade sem ajuste processual poderia levar à nulidade das provas.
Mais do que discutir fatos específicos, o episódio transformou o caso Master em um símbolo de um debate maior dentro do Supremo: o equilíbrio entre garantir independência investigativa e preservar os limites constitucionais de competência da Corte.
A sinalização de Mendonça, ao devolver protagonismo à Polícia Federal, é vista como tentativa de restabelecer o fluxo tradicional do sistema acusatório — no qual a investigação se desenvolve com autonomia técnica, sob controle judicial posterior, e não sob tutela prévia.
Ainda assim, o ambiente no tribunal permanece de cautela. Ministros avaliam que qualquer excesso, seja de intervenção ou de liberdade, pode produzir questionamentos jurídicos capazes de contaminar todo o processo.