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porto velho, sexta-feira 20 de fevereiro de 2026

Rio de Janeiro — A escola de samba que levou à Marquês de Sapucaí um enredo com homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi rebaixada no resultado oficial do Carnaval carioca. A decisão, divulgada após a apuração das notas, gerou forte repercussão entre dirigentes, sambistas e espectadores, reacendendo o debate sobre os limites entre manifestação cultural e propaganda política no principal palco do samba brasileiro.
De acordo com o mapa de notas, o rebaixamento ocorreu com uma diferença de pontos considerada elevada em relação às demais escolas, o que afastou qualquer possibilidade de empate técnico ou definição por critérios de desempate. A agremiação terminou a apuração nas últimas posições, acumulando perdas significativas em quesitos fundamentais como evolução, harmonia e conjunto.
Apesar da justificativa técnica apresentada pelos jurados, a coincidência entre o resultado negativo e o conteúdo político do desfile intensificou críticas nas redes sociais e levantou questionamentos sobre a adequação de homenagens a autoridades em exercício, especialmente em um ambiente marcado por forte polarização e em ano pré-eleitoral.
Durante o desfile, alegorias e trechos do enredo exaltaram a trajetória do presidente, o que foi interpretado por parte do público como uma mensagem política explícita. Críticos apontam que o Carnaval deve preservar seu caráter cultural e artístico, evitando manifestações que possam ser vistas como promoção política, ainda mais quando envolvem recursos públicos direta ou indiretamente.
A direção da escola afirma que o enredo teve caráter histórico e cultural, negando intenção de propaganda, e sustenta que a diferença de pontos não reflete a qualidade do desfile apresentado. A agremiação avalia a possibilidade de questionar oficialmente as notas atribuídas.
Para especialistas em Carnaval, o episódio evidencia um desgaste crescente entre parte do público e desfiles com forte carga ideológica. “Quando a diferença de pontos é tão ampla, o debate deixa de ser apenas técnico e passa a ser simbólico”, avalia um pesquisador da cultura popular.
A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) reafirmou que a apuração seguiu rigorosamente o regulamento e que o julgamento é soberano. O resultado encerra um Carnaval marcado por controvérsias e reforça a discussão sobre o papel político das escolas de samba na Sapucaí.