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porto velho, sexta-feira 19 de junho de 2026

A liderança de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, dentro do Primeiro Comando da Capital (PCC) já não é vista com a mesma força de anos atrás. A avaliação é do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, um dos principais especialistas no combate à facção criminosa.
Segundo Gakiya, o longo período de isolamento em presídios federais dificultou a comunicação de Marcola com integrantes da organização criminosa e reduziu sua capacidade de influência sobre os membros que atuam dentro e fora das prisões.
De acordo com o promotor, as dificuldades para transmitir ordens e a falta de contato direto com a massa carcerária fizeram com que o líder da facção passasse a desconfiar de aliados tanto no sistema prisional quanto nas ruas.
Outro fator apontado por Gakiya é a acusação de que Marcola teria atuado como informante da polícia no passado. A suspeita ganhou força após declarações atribuídas ao promotor Márcio Christino, segundo as quais o chefe do PCC teria colaborado com investigações nos anos 2000, contribuindo para a queda de integrantes que ocupavam posições superiores na hierarquia da facção.

Para Gakiya, esse episódio pode trazer consequências dentro da própria organização criminosa.
O mundo do crime não aceita o cagueta, em hipótese nenhuma. O ladrão não fala com a polícia. Ele não falou com a polícia para poder acusar o Soriano de ser um psicopata e assassino da Melissa. Ele sabia o que estava falando. Ele é o Marcola, não é verdade? Ele não pode falar com a polícia, e se ele falou, ele sabia exatamente o que estava fazendo. Então, em algum momento ele vai responder por isso. E é o que eu espero, né? Que a justiça do crime seja feita para ele também.
Apesar de considerar que Marcola ainda mantém relevância dentro do PCC, Gakiya avalia que sua autoridade foi afetada por decisões que provocaram divisões internas na facção.
Entre os episódios citados está o perdão concedido a Fuminho, apontado como responsável por ordenar a morte de dois integrantes da organização. Segundo o promotor, a decisão contrariou regras internas frequentemente usadas pelo grupo para justificar punições e execuções.
“Foi muita pisada na bola. Eles têm um estatuto e muita gente já morreu por descumprir esse estatuto. E aí você perdoa alguém que mandou matar dois líderes? Como é que você volta atrás depois?”, questionou.
As declarações foram feitas por Gakiya durante entrevista ao Fala Glauber Podcast.
Gakiya também afirma que a nova geração de criminosos não possui a mesma ligação com Marcola que existia entre integrantes mais antigos da facção.
Preso há três décadas, o líder do PCC é conhecido por muitos integrantes apenas pela reputação construída ao longo dos anos, sem contato pessoal ou vínculo ideológico.
O PCC da geração Marcola não será mais o mesmo. O Marcola não terá mais a mesma força. Os criminosos de hoje, muitos deles milionários, nem conhecem o Marcola pessoalmente. Conhecem de nome. Não existe mais aquela ligação de antigamente. Hoje é business, é dinheiro.