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porto velho, terça-feira 14 de julho de 2026

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) avalia que decisões recentes do STF (Supremo Tribunal Federal) representam uma interferência no cenário eleitoral justamente quando o senador começa a apresentar sinais de recuperação nas pesquisas de intenção de voto.
Na avaliação de integrantes da campanha, a decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir visitas de Flávio ao ex-presidente Jair Bolsonaro deve ser analisada em conjunto com a medida adotada, na semana passada, pelo ministro Flávio Dino, que determinou o bloqueio de bens do presidente do PL (Partido Liberal), Valdemar Costa Neto, em investigação sobre a destinação de emendas parlamentares.
Segundo aliados, as decisões ocorreram em um momento em que levantamentos passaram a indicar redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cenários de segundo turno.
Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira mostra Lula com 47% das intenções de voto, contra 44% de Flávio, uma diferença de três pontos percentuais. No levantamento anterior, realizado após a repercussão do caso Dark Horse, a distância era de seis pontos (49% a 43%).
De acordo com fontes da campanha, pesquisas internas apontam um cenário de empate técnico, com Flávio numericamente à frente de Lula por um ponto percentual.
Pesquisadores ouvidos pela CNN, contudo, afirmam que os levantamentos disponíveis ainda mostram vantagem de Lula, variando entre três e seis pontos nos cenários de segundo turno.
Apesar disso, aliados consideram que os dados representam o primeiro sinal de recuperação do senador após cerca de dois meses marcados por desgastes políticos.
A campanha atribui a melhora a uma estratégia de maior exposição do candidato em temas considerados prioritários para o eleitorado, como segurança pública. Em junho, Flávio lançou o plano "Brasil sem Medo", voltado ao combate à criminalidade. A próxima etapa da campanha deve priorizar propostas relacionadas ao custo de vida e críticas ao governo Lula.
Nos bastidores, integrantes da campanha listam quatro episódios que marcaram o período recente: o caso Dark Horse, envolvendo pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro; a divulgação de pesquisa da AtlasIntel que apontou queda de Flávio após o episódio e a contestação do levantamento junto ao TSE; declarações misóginas do aliado Paulo Figueiredo; e o vídeo de Michelle Bolsonaro criticando a campanha, seguido de sua saída do PL.
A avaliação interna é de que Lula não conseguiu ampliar a vantagem durante esse período de desgaste e que Flávio iniciou uma recuperação nas pesquisas. Aliados também consideram superada a crise envolvendo Michelle Bolsonaro, especialmente após a divulgação de uma carta de Jair Bolsonaro, lida por Flávio no sábado, em que o ex-presidente defende a união da direita em torno da candidatura do filho.