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    porto velho, sábado 10 de outubro de 2026

Amazonas queima em chamas em piores queimadas dos últimos 100 anos: "Desesperador"

Manaus permanece em estado de atenção neste sábado. Segundo a prefeitura, o status foi alterado desde 24 de setembro.


g1

Publicada em: 10/10/2026 10:24:25 - Atualizado


BRASIL: A fumaça voltou a encobrir Manaus pelo terceiro dia consecutivo na manhã deste sábado (10), e a concentração de partículas chegou a 209,1 µg/m³ em um dos pontos monitorados na capital amazonense. O índice supera em 736,4% o limite de 25 µg/m³ usado pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), para classificar a qualidade do ar como boa.

Por volta das 6h, o sensor instalado na Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), na Zona Centro-Sul, registrava 209,1 µg/m³, nível classificado como péssimo. Na região central da cidade, a concentração chegou a 164,1 µg/m³, enquanto o sensor no Morro da Liberdade marcou 157,2 µg/m³. Os três pontos apresentavam qualidade do ar considerada péssima.

Manaus permanece em estado de atenção neste sábado. Segundo a prefeitura, o status foi alterado desde 24 de setembro. A classificação é adotada quando uma ou mais ocorrências afetam a cidade e há previsão de um evento de alto impacto no curto prazo.

Outros municípios também registram piora em qualidade do ar

A piora também atingiu municípios da Região Metropolitana de Manaus. Em Itacoatiara, a concentração de partículas chegou a 2.016,1 µg/m³, por volta de 6h. Na cidade, a Defesa Civil disparou um alerta por volta de 8h20, recomendando o uso de máscaras ao sair de casa e pediu que a população evite exposição à fumaça.

Em Careiro, o índice alcançou 121,4 µg/m³, nível classificado como muito ruim. Já em Careiro da Várzea, o índice da plataforma chegou a 144,1. também em nível considerado péssimo.

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Imagens de satélite consultadas na plataforma Worldview também mostram a extensão da fumaça sobre a região. Na imagem, a camada de fumaça aparece em tons de cinza, enquanto as nuvens são vistas em branco.

Fumaça provoca atendimentos de urgência

Os efeitos da fumaça também preocupam as autoridades de saúde. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), foram registrados 82 atendimentos de urgência relacionados a possíveis efeitos da fumaça de queimadas em Manaus entre 1º e 8 de outubro.

Desde 1º de julho, o monitoramento da secretaria contabiliza 375 atendimentos relacionados aos efeitos da fumaça na capital. De acordo com a SES-AM, houve aumento expressivo nos registros na última semana.

Os dados ainda passam por qualificação das informações clínicas para identificar os casos efetivamente compatíveis com a exposição à fumaça. A secretaria ressalta que os registros, isoladamente, não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito entre a exposição e os sintomas apresentados.

Entre os sintomas relatados estão falta de ar, tosse, irritação na garganta, dor de cabeça, dor no peito, náuseas, vômitos, tontura e fadiga.

Moradores relatam problemas para respirar

Ao g1, moradores relataram problemas para respirar, irritação na garganta, noites mal dormidas e prejuízos ao trabalho. Pelo segundo dia consecutivo, a capital amazonense registrou a pior qualidade do ar do Brasil, segundo a plataforma internacional IQAir.

A autônoma Márcia Mendes, que tem rinite e sinusite, relatou que a poluição tem agravado os problemas respiratórios. Segundo ela, a fumaça provoca irritação na garganta, congestão nasal e crises de espirros ao longo do dia. À noite, a dificuldade para respirar e as dores de cabeça prejudicam o sono.

Como trabalha com vendas e precisa conversar com clientes durante boa parte do dia, Márcia afirma que a exposição à poluição aumenta o desconforto na garganta e dificulta a rotina profissional. Mesmo com os sintomas, ela precisa sair de casa para garantir a renda.

"Manaus, no Amazonas, é conhecida como o pulmão do mundo, mas a gente está sufocando com toda essa fumaça. Está prejudicando todo mundo", afirmou.

O autônomo Valdeci Moraes de Castro relatou que a poluição invade até as casas e dificulta o descanso. Ele criticou a falta de respostas do poder público e demonstrou preocupação com os efeitos da fumaça sobre a população, principalmente idosos e pessoas com problemas respiratórios.

"Nem em casa pode dormir. A fumaça entra toda para dentro do quarto. O ar está horrível", afirmou Valdeci em entrevista ao g1.

Ele disse que a situação também afeta quem precisa sair de casa para atividades básicas, como comprar alimentos, e defendeu o uso de máscaras para reduzir a exposição à fumaça.


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