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porto velho, quarta-feira 28 de maio de 2025
O som das risadas e pedidos de crianças apressadas durante entrada e saída das aulas deu lugar ao silêncio do quintal da casa de Herbert Lima dos Santos, o Beto, pipoqueiro de 39 anos que viu a vida financeira se transformar com a pandemia de covid-19.
A paralisação das aulas presenciais, determinada pelos governos municipal e estadual, como uma das estretégias de conter a disseminação do coronavírus, é a principal responsável pelo prejuízo. Sem estudantes e sem público de eventos, também suspensos, Santos, que tem 10 filhos e trabalha no ramo há 15 anos, viu sua renda zerar.
— No começo os pais dos alunos que me conheciam me ajudavam com um alimento, uma cesta básica. O problema é que a pandemia continou, as ajudas, não.
Somente na família de Santos, outras 9 pessoas também vendiam pipocas na porta de colégios de Belo Horizonte. O faturamento de cada parente chegava a R$2.500. É o caso de Leila Lima de Souza, 56 anos, mãe do vendedor e pipoqueira há quatro décadas.
— O maior problema é que esse era o negócio de família. Nunca pensamos que uma coisa desse tipo [a pandemia] destruiria tudo que construímos há tantos anos. A gente gastava pouco com o material e ganhava um dinheirinho bom.
A realidade da família é a mesma de pelo menos 380 profissionais do ramo, segundo dados da Associação de Pipoqueiros e do Sindicato dos Pipoqueiros da Grande BH. O número, no entanto, pode ser ainda maior: cerca de 1.600 vendedores de pipocas espalhados por BH, segundo os próprios profissionais que dizem que grande parte não se associa a entidades de representação.