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    porto velho, sábado 21 de maio de 2022

Brasileiros que estudam medicina no Paraguai e Bolívia são presos acusados de serem 'mulas' de traficantes

Eles receberiam até R$ 5 mil para transportar entorpecentes, como cocaína, skank e 'maconha gourmet sabor limão' em malas até o Brasil.


G1

Publicada em: 14/05/2022 11:14:42 - Atualizado


BRASIL - Após um ano de investigações, a Polícia Civil prendeu dois brasileiros, estudantes de medicina no Paraguai e na Bolívia, acusados de terem sido contratados como ‘mulas’ por traficantes para levarem drogas desses países a São Paulo.

As prisões de um estudante de 24 anos, em fevereiro, e de uma aluna de 29, na última quarta-feira (11), no Terminal Rodoviário da Barra Funda, Zona Oeste da capital paulista, confirmaram a existência de um esquema de tráfico internacional de drogas que oferece dinheiro a brasileiros que cursam medicina no exterior.

De acordo com o Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), os brasileiros recebem os entorpecentes nos países vizinhos, depois atravessam a fronteira com o Brasil de ônibus, entrando pelo Mato Grosso (MT) ou Mato Grosso do Sul (MS). E desses estados seguem para São Paulo.

Segundo a investigação, no começo do ano, o jovem preso confessou que um traficante paraguaio ofereceu a ele R$ 4 mil para transportar 3kg de cocaína pura dentro de uma mala preta.

O dinheiro seria pago ao aluno de medicina por um traficante brasileiro assim que ele desembarcasse com a droga na rodoviária de São Paulo. Mas ao chegar, ele foi surpreendido por policiais civis da 4ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) do Denarc.

Apesar de confessar o tráfico, crime pelo qual foi indiciado, o rapaz se recusou a dizer os nomes dos traficantes que o aliciaram. A droga que ele transportava foi apreendida.

Maconha sabor limão

Super Lemon Haze (névoa de super limão, numa tradução livre do inglês para o português) é uma maconha gourmet que é consumida principalmente por pessoas com alto poder aquisitivo em festas privadas em São Paulo — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Na quarta, a mesma equipe policial prendeu em flagrante a estudante. Segundo os agentes, ela disse informalmente que um traficante boliviano lhe prometeu R$ 5 mil para levar 12 kg de Skank (maconha potencializada) até São Paulo.

A droga estava em 36 embalagens dentro de uma mala rosa. De acordo com o Denarc, o entorpecente apreendido era uma maconha gourmet, nome dado a ervas geneticamente modificadas com sabores.

No caso dela, havia um aroma de limão. Nota característica da maconha conhecida como Super Lemon Haze (névoa de super limão em tradução livre). A estudante também foi responsabilizada criminalmente por tráfico de drogas.

O que diz o delegado

“Estamos investigando há mais de um ano a informação de que traficantes estão arregimentando brasileiros estudantes de medicina em outros países vizinhos como 'mulas', como são chamadas as pessoas que são pagas para transportar as drogas”, disse ao g1 o delegado Fernando Santiago, titular da 4ª delegacia da Dise.

De acordo com a investigação, a escolha de alunos de medicina por traficantes demonstra que os criminosos estão selecionando pessoas aparentemente livre de quaisquer suspeitas.

“Alguns brasileiros que estudam no exterior e são cooptados por traficantes de fora, que veem vantagens nisso, já que os alunos costumam viajar com certa frequência ao Brasil para ver suas famílias. Numa dessas vindas, acabam trazendo drogas com eles”, explicou o delegado. "O rapaz que detivemos em fevereiro nos contou que os traficantes abordam mesmo alguns estudantes brasileiros oferecendo a eles o transporte de drogas".


Destinos das drogas

Segundo ele, o destino da cocaína e do skank seriam diferentes. “A cocaína seria levada para alguma 'biqueira' para depois ser misturada a outros produtos químicos. E aumentando o seu volume seria revendida aos usuários por R$ 18 o quilo”.

“Já o skank é destinado a um público com maior poder aquisitivo. Um grama dele é vendido por R$ 80 em festas privadas”, falou Fernando.

Por conta da possibilidade de haver tráfico internacional de drogas, o delegado informou que que comunicou à Polícia Federal (PF) as prisões dos dois estudantes de medicina.

“Como temos informações de que esses jovens foram aliciados no exterior, a competência de atuação para investigar crimes fora do Brasil já não é nossa. Então passamos para quem pode fazer isso, que é a PF”, falou Fernando.

Os presos não tiveram seus nomes divulgados pelo Denarc.


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