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    porto velho, sexta-feira 22 de maio de 2026

Suspense de Confúcio vira desgaste político e trava articulações do MDB e do PT em Rondônia

Confúcio vive hoje um dilema político delicado: permanecer abraçado ao presidente Lula em um estado majoritariamente bolsonarista ou tentar reconstruir pontes...


Redação

Publicada em: 22/05/2026 09:16:47 - Atualizado

PORTO VELHO - RO - Faltando menos de cinco meses para as eleições de outubro, o senador Confúcio Moura-MDB mantém o tradicional suspense sobre disputar ou não a reeleição, mas desta vez o “charminho eleitoral” começa a produzir desgaste dentro do próprio grupo político.

Nos bastidores, cresce a irritação entre aliados do MDB e setores da esquerda ligados ao governo Luiz Inácio Lula da Silva, que seguem sem definição sobre os rumos da principal liderança do campo lulista em Rondônia. A indefinição vem dificultando alianças, travando composições e deixando partidos aliados em compasso de espera.

Confúcio vive hoje um dilema político delicado: permanecer abraçado ao presidente Lula em um estado majoritariamente bolsonarista ou tentar reconstruir pontes com um eleitorado que passou a olhar com desconfiança sua proximidade com o Palácio do Planalto. O desgaste é percebido até entre antigos aliados, que enxergam no senador sinais claros de insegurança eleitoral.

Quem convive na seara política rondoniense sabe que o roteiro não é exatamente novidade. Em praticamente todas as eleições, Confúcio costuma adotar a estratégia do suspense, deixando decisões para os momentos finais. O problema é que, desta vez, o cenário parece diferente. A demora passou a incomodar até aliados historicamente pacientes.

Nos corredores da política, a avaliação é quase unânime: quem conversa com o senador sai com uma impressão diferente. Alguns deixam reuniões convictos de que ele será candidato. Outros saem com a certeza oposta. Ainda assim, o sentimento predominante hoje nos bastidores é de que o “sim” estaria mais próximo do que o “não”.

A ironia maior está nas próprias palavras já publicadas pelo senador em seu blog pessoal. Em texto escrito há algum tempo, Confúcio orientava cidadãos interessados em disputar eleições a medir primeiro o nível de aceitação popular antes de entrar numa campanha.

“Pergunte a eles, caso venha a se candidatar, se eles lhe apoiam. Bem, com essa amostra — de gente conhecida e amiga, se for positiva — é um bom começo. Se nessa amostra ouvir muitas dúvidas e negativas, aí sim, não saia”, escreveu o senador.

O texto, que buscava ensinar sobre prudência política, hoje virou motivo de comentários irônicos entre adversários e até aliados. Nos bastidores, há quem diga que o próprio Confúcio parece ter encontrado exatamente o cenário que descreveu: dúvidas, hesitações e sinais contraditórios vindos de todos os lados.

Em outro trecho, o senador usou sua trajetória política como exemplo de dedicação à vida pública. Disse ter deixado profissão, fazenda e convivência familiar para servir à população de Rondônia. “Ser político é servir”, escreveu.

Apesar do discurso, o clima atual no MDB é de apreensão. Lideranças aguardam uma definição urgente para tentar reorganizar o tabuleiro eleitoral. Afinal, enquanto Confúcio decide se entra ou não na disputa, o calendário eleitoral continua correndo — e a paciência dos aliados parece cada vez menor.

Enquanto a eleição corre lá fora, emedebistas e petistas ficam 'malucos' e em compasso de espera para dissipar o dilema existencial de Confúcio,  na condição de reféns do “talvez”


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