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porto velho, segunda-feira 29 de junho de 2026

PORTO VELHO (RO) – A promessa de mais segurança e melhorias estruturais na BR-364 ainda não se traduziu em redução dos acidentes no principal corredor logístico de Rondônia. Desde o início da cobrança do pedágio pela concessionária Nova 364, motoristas e transportadores afirmam que continuam enfrentando praticamente os mesmos problemas históricos da rodovia, enquanto as tragédias seguem se acumulando ao longo do trecho entre Porto Velho e Vilhena.
Somente em um intervalo de aproximadamente nove horas, três acidentes graves registrados em diferentes pontos da BR-364 resultaram em quatro mortes.
Em Presidente Médici, Keniel Alves morreu após uma tentativa de ultrapassagem em local proibido. Já no quilômetro 417, em Jaru, a colisão entre duas motocicletas terminou de forma trágica após Saulo Henrique de Castro dos Santos e Maria Luiza Neves de Lima serem atropelados por um caminhão depois da queda na pista.
Horas depois, no quilômetro 650, nas proximidades de Candeias do Jamari, a colisão frontal entre duas caminhonetes provocou a morte da servidora da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia, Genylce do Nascimento Brito, que ficou presa às ferragens.
A sequência de tragédias teve continuidade no domingo (28), quando o cabo da Polícia Militar de Rondônia, Luis Carlos de Sousa Reis, de 41 anos, morreu em outro grave acidente nas proximidades de Presidente Médici.
Os episódios reforçam a imagem que há décadas acompanha a BR-364 em Rondônia: a de um verdadeiro "Corredor da Morte", por onde circulam diariamente milhares de veículos pesados, automóveis e motocicletas em uma infraestrutura concebida para uma realidade de tráfego muito diferente da atual.
O trecho concedido à iniciativa privada possui cerca de 700 quilômetros e recebe diariamente intenso fluxo de carretas, bitrens e treminhões responsáveis pelo escoamento da produção do Estado e de parte da Região Norte. Especialistas e usuários defendem que a rodovia necessita de uma reconstrução estrutural profunda, incluindo recuperação da base do pavimento e duplicação integral do percurso, e não apenas intervenções pontuais.
A principal reclamação dos usuários é que a cobrança do pedágio começou antes da percepção das melhorias prometidas. Enquanto os valores das tarifas passaram a pesar no bolso dos motoristas, muitos afirmam continuar encontrando buracos, desníveis, pontos críticos de ultrapassagem e longos trechos sem a infraestrutura considerada compatível com o volume atual de tráfego. A concessão possui prazo de 30 anos e prevê investimentos em duplicação parcial, terceiras faixas e outras intervenções ao longo do período contratual.
Outro ponto que tem provocado críticas é a ausência de manifestações públicas da concessionária após acidentes de grande repercussão registrados na rodovia. Em meio à sucessão de mortes e interdições, usuários afirmam sentir falta de posicionamentos institucionais, esclarecimentos ou demonstrações públicas de solidariedade às famílias atingidas pelas tragédias.
Enquanto as obras de maior porte ainda aguardam cronograma de execução, permanece entre os motoristas a sensação de que a cobrança chegou primeiro e que os benefícios prometidos seguem trafegando em velocidade inferior à das tarifas cobradas nos pórticos instalados ao longo da rodovia.
Na principal estrada de Rondônia, as cruzes continuam surgindo às margens do asfalto em ritmo muito mais acelerado do que as melhorias esperadas pela população.