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    porto velho, quinta-feira 16 de julho de 2026

Economia circular pode impulsionar pequenos negócios e preservar a Amazônia

O conceito propõe o reaproveitamento de materiais e resíduos que tradicionalmente seriam descartados, transformando-os novamente em matéria-prima para novos produtos ou...


Redação

Publicada em: 16/07/2026 14:11:49 - Atualizado

Foto - Rondonoticias

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta quinta-feira (16/07) recebeu a professora Luciana Barbieri para uma entrevista sobre desenvolvimento sustentável, economia circular, inovação e empreendedorismo na Amazônia. Com formação em Administração, Educação, Sociologia e Gestão Pública, além de mestrado, doutorado e pós-doutorado em Ciências Sociais, a pesquisadora compartilhou experiências desenvolvidas em Rondônia e em outros estados da Amazônia Legal, destacando alternativas para conciliar crescimento econômico, geração de renda e preservação ambiental.

Logo no início da entrevista, Luciana relembrou sua relação com Rondônia, onde atuou como professora, desenvolveu pesquisas acadêmicas e mantém vínculos pessoais e profissionais. Atualmente docente da Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec), ela ressaltou que parte importante de sua trajetória científica foi construída no estado.

Segundo a pesquisadora, sua formação multidisciplinar permite compreender o desenvolvimento sob diferentes perspectivas, reunindo conhecimentos da administração, da sociologia e da gestão pública. "A sociologia é o alicerce para compreender a sociedade. Não é possível falar em administração, empreendedorismo ou gestão sem entender o comportamento das pessoas e as relações sociais que influenciam o ambiente de trabalho e o desenvolvimento econômico", explicou.

Foto - Rondonoticias

Ao abordar o empreendedorismo, Luciana destacou que o conceito evoluiu e hoje está diretamente ligado à inovação e à sustentabilidade. Para ela, empresas que pretendem crescer de forma competitiva precisam incorporar práticas sustentáveis em seus processos produtivos.

"Hoje não existe empreendedorismo sem inovação e sem sustentabilidade. As empresas precisam produzir riqueza reduzindo impactos ambientais e aproveitando melhor os recursos disponíveis."

Durante a entrevista, a professora apresentou um dos principais temas de suas pesquisas: a economia circular. O conceito propõe o reaproveitamento de materiais e resíduos que tradicionalmente seriam descartados, transformando-os novamente em matéria-prima para novos produtos ou processos produtivos.

Segundo Luciana, essa lógica representa uma mudança significativa na forma de produzir e consumir. "A economia circular consiste em reutilizar aquilo que antes era descartado, fazendo com que esse material permaneça em circulação por mais tempo antes de chegar ao meio ambiente."

Como exemplo, ela citou o aproveitamento da vinhaça produzida pelas usinas sucroalcooleiras. Tradicionalmente utilizada como fertilizante, a substância também pode ser empregada na geração de energia, ampliando seu valor econômico e reduzindo desperdícios.

Ao trazer a discussão para a realidade amazônica, a pesquisadora destacou que Rondônia possui enorme potencial para desenvolver práticas sustentáveis utilizando produtos regionais e resíduos agroindustriais.

Ela mencionou o reaproveitamento de materiais provenientes da cadeia produtiva da pecuária, além da utilização de matérias-primas como babaçu, buriti, pescado e mel, segmentos que fizeram parte de estudos desenvolvidos durante seu pós-doutorado.

"Nós pesquisamos diversas cadeias produtivas em Rondônia e verificamos que muitos resíduos podem ser transformados em novos produtos, agregando valor econômico e reduzindo impactos ambientais."

A pesquisadora explicou ainda que a economia circular já vem sendo incorporada por grandes empresas, mas afirmou que o maior desafio está em ampliar esse modelo entre pequenos produtores e empreendedores.

Foto - Rondonoticias

Na avaliação dela, políticas públicas, investimentos em inovação, capacitação técnica e acesso à tecnologia são fatores decisivos para permitir que pequenos negócios também adotem processos sustentáveis e aumentem sua competitividade.

Ao longo da entrevista, Luciana reforçou que desenvolvimento econômico e preservação ambiental não devem ser tratados como objetivos incompatíveis. Segundo ela, é possível promover crescimento, gerar empregos e ampliar oportunidades sem abrir mão da conservação dos recursos naturais.

Para a professora, a Amazônia reúne condições únicas para liderar esse novo modelo de desenvolvimento, desde que conhecimento científico, inovação e empreendedorismo caminhem juntos na formulação das políticas públicas e das estratégias econômicas voltadas para a região.

ASSISTA A ENTREVISTA COMPLETA AQUI:


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