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    porto velho, domingo 19 de julho de 2026

CRÔNICA DE FIM DE SEMANA - O país da memória curta - por Arimar Souza de Sá

Os anos passaram. Mudaram governos, ministros e narrativas. Mas a desconfiança permaneceu...


Redação

Publicada em: 18/07/2026 21:33:38 - Atualizado

imagem - montagem rondonoticias/ia

CRÔNICA DE FIM DE SEMANA

O PAÍS DA MEMÓRIA CURTA

Arimar Souza de Sá

O fim de semana costuma ser uma breve pausa entre o brasileiro e seus problemas. O dia nasce preguiçoso, muita gente dorme até mais tarde, o café esfria sobre a mesa, a família se reúne, e a cidade diminui o ritmo no trânsito. Mas basta abrir o noticiário para perceber que a República continua em guerra consigo mesma.

O Brasil tornou-se um país onde os escândalos trocam de nome, mas raramente de protagonistas. O Partido dos Trabalhadores chegou ao poder prometendo enterrar a velha política. No lugar dela, a História registrou o Mensalão, o Petrolão e a sangria da Petrobras e dos Correios, convertida em símbolo da captura do Estado por mesquinhos interesses políticos e econômicos.

A impressão que se tem é que República não caiu de uma só vez. Foi sendo corroída como uma ponte atacada por cupins. Por fora, discursos grandiosos. Por dentro, vigas comprometidas.

Os anos passaram. Mudaram governos, ministros e narrativas. Mas a desconfiança permaneceu. O recente escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS atingiu justamente quem deveria ser protegido pelo Estado: os velhinhos que trabalharam uma vida inteira e descobriram que até mesmo sua aposentadoria havia solapada, alvo da ganância.

No mesmo compasso caminha o caso do Banco Master. Perguntas existem aos montes. Respostas, poucas e muito mistério. A sensação que permanece nas ruas é simples e inquietante: alguns escândalos parecem correr em pista asfaltada; outros atolam na burocracia. Quando a sociedade começa a acreditar que a Justiça pesa de forma diferente conforme o personagem, a maior vítima deixa de ser a política. Passa a ser a confiança.

Enquanto isso, o Estado continua crescendo. Crescem os gastos, aumentam os impostos, multiplicam-se os privilégios e as cretinas viagens internacionais. Apenas o poder de compra do trabalhador segue na direção contrária.

Brasília parece viver numa ilha cercada de privilégios por todos os lados. O Brasil real continua esperando atendimento nos hospitais, segurança nas ruas e dinheiro suficiente para fechar as contas do mês.

E daqui de Rondônia, o cenário não é diferente.

O Estado permanece refém de um cartel aéreo que transformou viajar em artigo de luxo. A transposição de milhares de servidores continua sendo uma promessa que atravessa governos sem encontrar um ponto final. A BR-364, única artéria que liga Rondônia ao restante do país, foi transformada em uma criminosa fonte de arrecadação por meio de um pedágio que muitos rondonienses consideram incompatível com a realidade econômica da região. Quem produz paga. Quem transporta paga. Quem trabalha paga. A conta, como sempre, chega primeiro ao cidadão.

Rondônia não pede favores. Exige respeito. Estamos em pleno efervescer de mais um processo eleitoral. Os futuros governantes terão diante de si uma oportunidade rara: substituir discursos por soluções, garantir voos acessíveis, concluir definitivamente a transposição dos servidores, rever o modelo de pedagiamento da BR-364, fortalecer a segurança pública e investir em infraestrutura capaz de acompanhar a força do agronegócio e do setor produtivo.

O Estado não precisa de novos salvadores da pátria. Já desperdiçou esperança demais com eles.

Precisa de governantes que compreendam uma verdade elementar: o dinheiro público não pertence ao governo; pertence ao cidadão. O mandato é temporário. As consequências da omissão permanecem por décadas e deixam ainda mais apodrecida a esperança de quem mais dela precisa.

Neste fim de semana, talvez a reflexão seja inevitável. Uma nação não fracassa apenas quando falta dinheiro. Fracassa quando perde a capacidade de se indignar. Quando escândalos deixam de causar espanto. Quando promessas substituem resultados. Quando o poder passa a servir a si mesmo.

Porque governos passam. Palácios permanecem. Mas quem paga a conta continua sendo o povo. E a História, essa velha juíza de memória infinita, costuma absolver poucos. Aos demais, reserva o mais severo dos veredictos: o esquecimento ou a vergonha.

É TEMPO DE REFLEXÃO!

AMÉM!


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