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porto velho, domingo 11 de outubro de 2026

PORTO VELHO - RO - As eleições de 2026 provocaram uma mudança importante no mapa político de Rondônia ao interromper a presença de alguns dos grupos familiares que, durante décadas, exerceram forte influência em diferentes regiões do estado.
Sobrenomes tradicionais, que acumularam mandatos em prefeituras, Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados e Senado, não conseguiram repetir nas urnas o desempenho de eleições anteriores.
No Cone Sul, uma das principais derrotas atingiu o grupo Donadon. A deputada estadual Rosangela Donadon não conseguiu renovar o mandato, enquanto o ex-deputado federal Natan Donadon também ficou fora da Câmara dos Deputados. A família manteve por muitos anos forte presença em Vilhena e em municípios do entorno, onde chegou a eleger prefeitos e parlamentares em diferentes períodos.
Na zona da mata, a família Cassol, uma das mais conhecidas da política rondoniense, também sofreu derrota. Depois de construir uma trajetória com passagens por prefeituras, governo estadual, Senado e Câmara dos Deputados, o grupo não conseguiu eleger Jaqueline Cassol para a Câmara Federal, muito menos o ex-deputado Luiz Cláudio apoiado por Ivo Cassol.
Na Bacia Leiteira, o grupo político ligado à família Muleta também perdeu espaço. Candidaturas associadas ao núcleo não conseguiram garantir representação na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal.
Outro revés ocorreu em Ariquemes e no Vale do Jamari. O grupo Amorim, que já conseguiu eleger prefeitos, deputados estaduais e senador, não repetiu a força eleitoral de outros pleitos. Ernandes Amorim, principal nome da família, terminou a disputa sem conquistar mandato.
Em Porto Velho, Gláucia Negreiros e Mariana Carvalho também não obtiveram votos suficientes para chegar ao Senado e à Assembleia Legislativa, respectivamente, frustrando a tentativa de ampliar a presença política dos dois grupos familiares na capital e, por conseguinte no estado.
O resultado das urnas indica uma mudança no comportamento do eleitorado em regiões onde, por muitos anos, famílias tradicionais conseguiram manter influência política com sucessivas candidaturas de seus integrantes.
Embora esses grupos ainda conservem articulação, bases eleitorais e capacidade de reorganização, a eleição de 2026 mostrou que o peso do sobrenome já não garante, por si só, a manutenção de mandatos.
A nova configuração também abre espaço para outras lideranças, amplia a disputa regional e reduz o domínio de algumas famílias que, por décadas, exerceram protagonismo na política de Rondônia.
Mais do que derrotas individuais, o resultado representa um enfraquecimento de antigas estruturas de poder e sinaliza uma renovação gradual no cenário político estadual.