Fundado em 11/10/2001
porto velho, quarta-feira 8 de julho de 2026

A imagem do avião da Seleção Brasileira retornando ao Rio de Janeiro com apenas dois atletas a bordo diz muito sobre o momento vivido pelo futebol nacional. Após a eliminação precoce na Copa do Mundo, a maior parte dos jogadores seguiu diretamente para seus destinos particulares, sem sequer retornar ao Brasil junto com a delegação. Apenas Danilo e Leo Nanetti embarcaram no voo oficial da equipe.
Embora os atletas tenham o direito de aproveitar suas férias e cumprir compromissos pessoais, a cena reforça a sensação de distanciamento entre a Seleção e o povo brasileiro. Em outras épocas, vestir a camisa amarela representava um compromisso que ia além dos 90 minutos. Havia um sentimento de pertencimento, de responsabilidade e de respeito com a torcida, que acompanhava a chegada da delegação mesmo após derrotas.
Hoje, a realidade parece diferente. Muitos jogadores vivem há anos no exterior, possuem carreiras consolidadas em grandes clubes europeus e, após o fim da competição, priorizam retornar às suas residências ou destinos de férias, sem sequer passar pelo Brasil. A Seleção acaba se tornando apenas um compromisso de calendário, e não mais um símbolo máximo do futebol nacional.
A eliminação para a Noruega nas oitavas de final já havia provocado forte frustração entre os torcedores. O retorno praticamente vazio da delegação apenas amplia a percepção de que existe uma crescente desconexão entre quem veste a camisa da Seleção e quem continua apoiando o time do outro lado da televisão ou nas arquibancadas.
Mais do que uma questão logística, a imagem do avião quase sem jogadores representa um símbolo do atual momento da Seleção Brasileira: uma equipe formada por grandes talentos individuais, mas que parece cada vez mais distante da identidade, da paixão e do compromisso que fizeram do Brasil a maior potência da história das Copas do Mundo.