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porto velho, quarta-feira 15 de julho de 2026

O confronto entre Argentina e Inglaterra é um fenômeno tipo o dos cometas Halley. Pode levar 20 anos para (res)surgir. Ou 200.
O último encontro em Copas (vitória dos ingleses) foi em 2002. Muitos dos que estarão hoje no estádio ou na frente da TV sequer eram nascidos naquele ano. Foram cinco confrontos no total, de 1962 pra cá.
Desses a Argentina venceu apenas um. Foi em 1986 e o país tinha acabado de ser humilhado na Guerra das Malvinas pela Marinha Real Britânica.
Não foi qualquer batalha de videogame.
O conflito deixou 649 militares mortos do lado argentino (metade contabilizada após o afundamento do cruzador ARA General Belgrano).
O Reino Unido computou 255 baixas, a maioria em ataques aéreos.
A vitória manteve a área sob domínio inglês, mas se quiser brigar com um argentino é só chamar as Ilhas Malvinas de Falklands.
Na única vitória dos sul-americanos na história do confronto, Diego Armando Maradona pintou e bordou com os pés e a mão e fez em campo o que os soldados da ditadura argentina não conseguiram fazer quatro anos antes. A vitória por 2 a 1 pavimentou o caminho até a taça.
Desde então Maradona é chamado de gênio pelos fãs de futebol e de Deus, pelos argentinos. Messi já marcou oito gols na Copa de 2026. E 21 num total de seis participações em Mundiais.
Nenhum deles tem a importância dos dois gols de Maradona contra os ingleses em 1986. Não, nem os dois da final da Copa de 2022 contra a França.
Antes do confronto, o técnico Lionel Scaloni pediu aos torcedores e a imprensa esportiva que tratassem a partida como ela é: uma partida de futebol.
Veteranos da Guerra das Malvinas fizeram um apelo para que o público respeitasse a memória dos mortos e não confundisse o esporte com uma guerra.
Como se fosse possível.
A memória do conflito hoje está distante para boa parte dos torcedores. Mas Messi, que parecia não precisar provar mais nada a ninguém, terá o grande desafio de repetir os feitos de Maradona para entrar de vez no olimpo até hoje habitado por um único camisa 10. Só então a Argentina poderá dizer que o raio divino caiu duas vezes no mesmo lugar.