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    porto velho, quinta-feira 5 de março de 2026

Entre a bomba e o petróleo, a hipocrisia do discurso democrático

Ao longo da história, a humanização de líderes agressivos muitas vezes encobriu sistemas de poder que se alimentam...


Raimundo De Assis Teixeira

Publicada em: 04/03/2026 10:47:42 - Atualizado

Notícias atuais mostram que os governos de Trump e Netanyahu afirmam que o motivo do ataque contra o Irã é impedir que ele desenvolva armas nucleares e proteger seus povos, no entanto, as declarações oficiais muitas vezes mascaram interesses muito mais profundos, a manutenção e a expansão da hegemonia global, controle de rotas estratégicas e acesso a recursos. Reuters ·

História de Líderes “Loucamente” Poderosos

Ao longo da história, a humanização de líderes agressivos muitas vezes encobriu sistemas de poder que se alimentam de guerra e exploração, Calígula, Tibério, Nero,

Imperadores de Roma associados a tirania e decadência.

Adolf Hitler, Benito Mussolini líderes fascistas que levaram seus países à destruição,

Hirohito, imperador japonês durante a Segunda Guerra Mundial, representando um sistema imperial agressivo cuja liderança ainda é debatida historicamente sobre responsabilidade direta. Wikipédia

No século XXI, alegam alguns críticos que figuras como Donald Trump e Benjamin Netanyahu exprimem uma combinação perigosa de ambição política interna, nacionalismo exaltado e disposição para poder milita, não muito diferente em espírito do que levou impérios anteriores a guerras devastadoras.

Democracia ou Controle Econômico?

A retórica dominante costuma usar palavras como democracia, liberdade e segurança.

Mais na prática, o conflito atual mostra:

Controle econômico é uma motivação real:

A guerra ameaça rotas de petróleo e gás que afetam mercados globais e economias inteiras.

A economia iraniana já sofre sofrimento profundo por sanções e isolamento, muito antes de qualquer conflito armado, e esse impacto econômico é uma parte essencial do confronto. arXiv

Não se trata apenas de medo nuclear

A retórica oficial aponta para ameaça de bomba nuclear, mas inclusive antes das hostilidades diretas havia negociações diplomáticas em curso que poderiam limitar o programa iraniano sem guerra, e mesmo assim a ação militar foi escolhida. ING THINK

A desculpa “democracia” como cobertura ideológica:

Historicamente, potências dominantes invocam termos como “democratização”, “liberdade” e “responsabilidade de proteger” para justificar intervenções. Mas, em muitos casos, como Iraque, Líbia ou Síria, regimes foram derrubados com resultados que nem de longe se assemelham a democracias estáveis ou emancipadoras de povos, esse padrão se repete hoje.

O Irã e Sua Longa História milenar

O Irã, com uma civilização que remonta ao Império Persa (mais de 2.500 anos), nunca foi derrotado de forma completa em sua história, suas guerras foram sempre complexas e multifacetadas, isso desafia a narrativa simplista de um “estado terrorista” o fato de agora estar no centro de uma grande ofensiva militar demonstra mais a posição estratégica do país e seu peso regional do que qualquer simplista rótulo de “vilão”.

Por que essa guerra não é “sobre democracia”?

Narrativa oficial muitas vezes esconde interesses econômicos e geopolíticos, o controle de infraestrutura energética, rotas comerciais e dominação regional são motivações centrais, não valores abstratos de liberdade.

A história real das intervenções ocidentais mostra um padrão de regimes que colapsam não por vontade dos povos, mas por pressões externas e sanções que destroem a economia e o tecido social.

A grande mídia dominante muitas vezes reproduz a versão dos governos poderosos com pouco espaço para narrativas alternativas, críticas ou vozes do Global South. Isso cria um ambiente informativo que serve aos interesses dos detentores de poder, não à análise emancipatória.

O conflito atual não é simplesmente sobre “combater um regime maligno” ou “libertar um povo para a democracia”.

É profundamente ligado a dinâmicas de poder global, interesses econômicos e hegemonia de grandes potências.

A retórica de democracia serve muitas vezes como máscara para objetivos estratégicos, militares e econômicos.

A história mostra que essas narrativas padronizadas se repetem, favorecendo os poderosos e deixando para trás rios de sangue, desrespeitos as culturas e costumes de povos e vidas soberania.

E tenho dito

Por Raimundo De Assis Teixeira
Mestre em história pelo Brasil e América Latina


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