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    porto velho, sexta-feira 26 de junho de 2026

Escritoras dizem que Nordeste e RO se unem na mesma paixão pelas festas juninas

Embora tenha nascido no Nordeste, Izabel disse ter encontrado em Rondônia um ambiente igualmente rico em manifestações culturais, participando ao longo dos anos de quadrilhas...


Redação

Publicada em: 26/06/2026 14:26:25 - Atualizado

Foto - Rondonoticias

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta sexta-feira (26/06) recebeu as escritoras Izabel Cristina e Nilce Casara para um bate-papo sobre a importância das festas juninas, a preservação das tradições populares e as memórias que marcaram gerações de rondonienses.

Ao longo da entrevista, as convidadas compartilharam experiências pessoais vividas em diferentes regiões do país e defenderam que as celebrações de São João, Santo Antônio e São Pedro representam muito mais do que manifestações folclóricas. Para elas, os festejos carregam identidade cultural, fortalecem os laços familiares e mantêm viva a memória coletiva.

Natural da região de Laranjeiras, no Vale do Guaporé, Nilce Casara relembrou a infância cercada pelos tradicionais arraiais e afirmou que as festas juninas de décadas passadas tinham um forte caráter comunitário.

"Eu criei com um arraial de verdade, com fogueira de verdade. A gente tirava o milho da palha e colocava para assar no carvão da fogueira. Era muito bom. Os bolos tradicionais davam um sabor especial à festa. Isso tudo hoje deixa muita saudade", recordou.

Segundo ela, as celebrações reuniam famílias inteiras e proporcionavam uma convivência muito mais próxima entre crianças, jovens e adultos.

"Antigamente nós vivíamos melhor. A criança era livre. Em Guajará-Mirim, quem vinha do Vale do Guaporé encontrava arraiais cheios de alegria, casamentos caipiras e quadrilhas com músicas tradicionais. Nós aprendíamos a dançar na escola e vivíamos realmente encantados com aquelas festas", afirmou.

Foto - Rondonoticias

Durante a conversa, Nilce também lembrou das antigas simpatias realizadas durante o período junino, como pingar a cera da vela na água para descobrir o futuro pretendente. Em tom bem-humorado, revelou que participou das brincadeiras, mas nunca obteve o resultado esperado.

"Eu pinguei muita vela, mas para mim nunca apareceu o nome do pretendente", brincou.

Há 36 anos vivendo em Rondônia, a escritora Izabel Cristina contou que trouxe da Paraíba uma forte ligação com as festas de São João e afirmou que a cultura nordestina continua presente em sua trajetória.

"Eu fechava a rua para fazer quadrilhas, acendia fogueira em frente de casa e organizava as festas. Tenho lembranças maravilhosas da minha infância e carrego essa tradição até hoje", disse.

Ao recordar os costumes populares, Izabel destacou que Santo Antônio sempre ocupou um lugar especial entre as celebrações religiosas de sua terra natal.

"Na minha cidade existe a Pedra de Santo Antônio. As pessoas passam três vezes por baixo dela fazendo o pedido para encontrar o casamento desejado. São tradições que atravessam gerações e fazem parte da identidade de cada lugar", explicou.

A escritora também ressaltou que a gastronomia típica constitui um dos maiores patrimônios das festas juninas.

"Canjica, pamonha, cocada, munguzá, milho cozido, milho assado... Eu só tenho boas lembranças da minha infância. Lá no Nordeste tudo isso é acompanhado pelo forró pé de serra, que hoje conquistou o Brasil e o mundo", afirmou.

Embora tenha nascido no Nordeste, Izabel disse ter encontrado em Rondônia um ambiente igualmente rico em manifestações culturais, participando ao longo dos anos de quadrilhas, apresentações de boi-bumbá e do tradicional Arraial Flor do Maracujá.

"Sou muito grata por ter nascido no Nordeste e por viver há 36 anos na Amazônia. Aqui participei de quadrilhas, dos bois de Porto Velho, do Flor do Maracujá e de inúmeras manifestações culturais. Sou encantada pela história e pela cultura do nosso estado", declarou.

Ao final da entrevista, as duas escritoras defenderam que as tradições juninas precisam ser preservadas e transmitidas às novas gerações. Para elas, manter vivos os costumes populares significa valorizar a história, fortalecer a identidade cultural e preservar um patrimônio afetivo que atravessa diferentes épocas e regiões do Brasil.

ASSISTA A ENTREVISTA COMPLETA AQUI:


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