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porto velho, sábado 8 de agosto de 2026

PORTO VELHO – RO – A anunciada saída do senador Confúcio Moura da corrida eleitoral pode ter sido muito mais um recuo tático do que uma despedida das urnas. Conforme o Rondonoticias já havia antecipado, com base em informações de fontes dos bastidores emedebistas, o parlamentar continua no tabuleiro e a possibilidade de disputar a reeleição permanece aberta.
A carta em que Confúcio comunicou a intenção de não concorrer novamente ao Senado teria servido, segundo setores do MDB, para retirar o senador momentaneamente da linha de fogo, evitando um desgaste antecipado enquanto alianças e candidaturas ainda estavam sendo costuradas.
Agora, os movimentos oficiais do próprio partido reforçam essa leitura.
Na quinta-feira (6), último dia para o encaminhamento de documentos relativos às decisões das executivas partidárias, o MDB comunicou à Justiça Eleitoral desistências de candidatos à Assembleia Legislativa, mas não formalizou a retirada de Confúcio Moura da disputa pelo Senado. O silêncio sobre a vaga majoritária passou a ser interpretado internamente como um sinal de que a porta continua aberta.
Fontes da legenda ouvidas pelo Rondonoticias afirmam que uma nova manifestação do senador poderá ocorrer ainda nesta semana. Nos bastidores, a avaliação é de que Confúcio nunca deixou completamente o páreo e aguardava apenas o fechamento das principais peças do xadrez eleitoral para decidir o momento de voltar ao centro da disputa.
Outro movimento fortalece essa tese. O MDB formalizou composição com o PDT e indicou um dos suplentes do ex-senador Acir Gurgacz, candidato ao Senado. A articulação, entretanto, não teria ocupado a segunda vaga da chapa. Esse espaço continua politicamente reservado e, dentro da costura em andamento, o nome de Confúcio permanece como peça central.
PSDB condiciona aliança a Confúcio e Gurgacz
O desenho ganha ainda mais força com a posição adotada pelo PSDB. Ao formalizar sua participação na composição com MDB e PDT para as eleições majoritárias, os tucanos fizeram constar em ata uma condição política clara: a permanência na aliança estaria vinculada às candidaturas de Confúcio Moura à reeleição e de Acir Gurgacz à outra cadeira do Senado.
A cláusula praticamente coloca o retorno de Confúcio no centro da engenharia eleitoral construída pelo bloco. Mais do que uma possibilidade isolada do MDB, sua candidatura passa a funcionar como uma das condições para manter de pé a composição partidária.
Se a movimentação se confirmar, a carta de desistência terá cumprido uma função essencialmente estratégica: tirar Confúcio dos holofotes no momento de maior pressão, preservar seu capital político e permitir que o senador atravessasse a turbulência sem continuar “sangrando” antes do início efetivo da campanha.
Em outras palavras, Confúcio pode ter saído de cena sem abandonar o palco.
Esquerda também fecha seus nomes
Enquanto MDB, PDT e PSDB ajustam as últimas peças da composição, os partidos reunidos na Federação Brasil da Esperança também avançaram nas definições para o Senado.
O PT colocou na mesa o nome de Luciana Oliveira, enquanto o PV manteve a indicação de seu presidente regional, Aires Mota. As decisões encerram uma etapa das discussões internas, mas ainda deixam espaço para negociações diante da necessidade de acomodar os diferentes interesses dentro do campo político.
Com duas vagas ao Senado em disputa em 2026, cada movimento altera profundamente o equilíbrio das alianças.
No caso de Confúcio Moura, os sinais deixados nos documentos partidários começam a falar mais alto do que a carta de despedida. Se o senador confirmar a candidatura nos próximos dias, ficará evidente que sua saída não representou o fim de uma campanha.
Foi apenas um recuo para sair da linha de tiro — e preparar o retorno ao campo de batalha.