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    porto velho, quinta-feira 12 de fevereiro de 2026

O silêncio, a resistência e a força dos que permanecem - Renato Cavalcante

Curiosamente, a ciência nos oferece uma metáfora poderosa.


Renato Cavalcante

Publicada em: 12/02/2026 11:22:01 - Atualizado

Em tempos de conflitos públicos, acusações reiteradas e narrativas construídas para provocar reações, existe uma virtude que raramente é compreendida, mas que sempre se revela vencedora ao longo da história: o silêncio estratégico.

Não é o silêncio da omissão. É o silêncio da inteligência.
Não é o silêncio da fraqueza. É o silêncio de quem compreende que nem toda batalha precisa ser travada em praça pública.

Curiosamente, a ciência nos oferece uma metáfora poderosa.

Diante de cenários extremos — inclusive em hipóteses de guerras nucleares — estudos e análises científicas indicam que poucos seres possuem capacidade de resistência elevada a níveis extremos de radiação e destruição ambiental. Entre eles, está um dos organismos mais resilientes do planeta: a barata.

Não por força física.
Não por imponência.
Mas por capacidade de adaptação, resistência, silêncio e sobrevivência.

Transformar esse dado científico em ofensa revela mais sobre quem tenta diminuir do que sobre quem é alvo da tentativa.

Porque, no mundo real assim como na política, na vida pública e nas disputas de poder, não sobrevive quem grita mais alto, quem provoca mais, ou quem busca os holofotes a qualquer custo. Sobrevive quem sabe quando falar, quando agir e, principalmente, quando permanecer em silêncio.

O silêncio, muitas vezes, é interpretado como fraqueza por aqueles que só conhecem a linguagem do confronto. Mas a história ensina o contrário: os grandes estrategistas, os líderes mais longevos e os que realmente atravessam tempestades são justamente aqueles que sabem preservar energia, observar o tabuleiro e escolher o momento certo.

Em uma era marcada por ataques, rótulos fáceis e narrativas rasas, resistir não é apenas permanecer de pé, é continuar avançando mesmo quando tentam reduzir sua existência a um apelido.

No fim, o tempo sempre faz o seu trabalho:
Ele revela quem gritava por desespero.
E quem permanecia em silêncio por estratégia.

Porque, no mundo real, não vence quem faz mais barulho.
Vence quem permanece.


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