• Fundado em 11/10/2001

    porto velho, quinta-feira 23 de julho de 2026

Feminicídios disparam no Brasil e atingem novo recorde, aponta relatório

Anuário Brasileiro de Segurança Pública foi divulgado nesta quinta


Redação

Publicada em: 23/07/2026 09:55:41 - Atualizado

Foto reprodução

Enquanto o Brasil registrou uma redução de 8,2% nas mortes violentas intencionais em 2025, um indicador chama a atenção e preocupa especialistas em segurança pública: os feminicídios continuaram em alta e alcançaram o maior patamar da série histórica, evidenciando que a violência contra a mulher segue avançando no país.

De acordo com a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram contabilizadas 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, um aumento de aproximadamente 4,7% em relação ao ano anterior. Na prática, mais de quatro mulheres foram assassinadas por dia em razão da condição de gênero, um cenário que contrasta com a melhora observada nos indicadores gerais de criminalidade.

Os dados mostram que, embora o número de mortes violentas intencionais tenha caído de 44.127 em 2024 para 40.775 em 2025, atingindo o menor índice desde o início da série histórica, em 2012, a violência doméstica e os crimes motivados pelo gênero feminino continuam crescendo e desafiam as políticas públicas de proteção às mulheres.

Especialistas apontam que o aumento dos feminicídios revela que medidas de prevenção, acolhimento e proteção ainda não são suficientes para interromper o ciclo de violência. Em muitos casos, os assassinatos são precedidos por agressões, ameaças e histórico de violência doméstica, demonstrando a necessidade de fortalecer a rede de atendimento às vítimas e ampliar a fiscalização do cumprimento de medidas protetivas.

Outro dado que reforça a gravidade do problema é o perfil das vítimas. O levantamento indica que 62,6% das mulheres assassinadas eram negras, evidenciando que desigualdades sociais e raciais também influenciam a vulnerabilidade à violência de gênero.

O anuário conclui que, apesar dos avanços no combate à criminalidade em geral, o crescimento contínuo dos feminicídios demonstra que a violência contra a mulher permanece como um dos maiores desafios da segurança pública brasileira, exigindo ações integradas entre governos, Judiciário, forças policiais e redes de assistência para impedir que mais mulheres sejam mortas dentro de suas próprias casas ou por pessoas com quem mantinham vínculos afetivos.


Fale conosco