• Fundado em 11/10/2001

    porto velho, domingo 21 de junho de 2026

Antes de negociar Covaxin, empresa conseguiu aditivo em contrato de preservativos

Uma reportagem que analisou os dados do Portal da Transparência, mostra que a Precisa Medicamentos


cnn

Publicada em: 23/06/2021 10:37:24 - Atualizado

Sete dias antes de assinar o contrato para fornecimento da vacina indiana Covaxin, a Precisa Medicamentos, que também representa a companhia Cupid Limited em uma negociação para a aquisição de preservativos femininos, acrescentou um aditivo que dobrou o valor desse contrato da licitação junto ao Ministério da Saúde.

Uma reportagem exclusiva da CNN Brasil, que analisou os dados do Portal da Transparência, mostra que a Precisa Medicamentos assinou um contrato para fornecimento de 5 milhões de preservativos femininos em 13 de novembro de 2020, com valor inicial de R$ 15,7 milhões, que passou para R$ 31,5 milhões em 18 de fevereiro.

Extrato de contrato da Precisa Medicamentos



De acordo com a CNN, a justificativa para o aditivo contratual foi uma correção na cotação do dólar, segundo o Diário Oficial de 23 de fevereiro de 2021.

Procurada pela reportagem, a Precisa disse que o aditamento faz referência ao valor inicial do registro de preços que previa a entrega de 10 milhões de unidades do preservativo feminino, e que o aumento dos valores está relacionado com o aumento da quantidade entregue. O Ministério da Saúde não respondeu aos questionamentos da CNN.

Um dos sócios da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiniano, havia sido convocado para prestar depoimento à CPI da Covid no Senado nesta quarta-feira (22), mas enviou um documentos aos parlamentares avisando que não poderia comparecer por estar cumprindo quarentena imposta pela Anvisa após uma viagem à Índia.

Contrato de vacinas

A Procuradoria da República abriu uma investigação preliminar para avaliar se houve crime no contrato firmado entre o Ministério da Saúde e a empresa Precisa Medicamentos para a compra da vacina indiana contra Covid-19 Covaxin, citando o risco temerário no acerto firmado.

Em despacho determinando a apuração nas esferas criminal e cível, o MPF destacou que o contrato entre a Precisa, que representa no país o laboratório indiano Bharat Biotech, fabricante da Covaxin, e o Ministério da Saúde para a entrega de 20 milhões de doses tem valor total de 1,6 bilhão de reais, “tendo sido a dose negociada por 15 dólares, preço superior ao da negociação de outras vacinas no mercado internacional, a exemplo da vacina da Pfizer”.


Fale conosco