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    porto velho, sábado 31 de janeiro de 2026

Com ajuste fiscal, Argentina de Milei melhora percepção externa e crescerá o dobro que o Brasil

Queda da dívida e da inflação atrai olhar de investidores, apesar de riscos sociais, cambiais e políticos


CNN

Publicada em: 30/01/2026 10:34:07 - Atualizado


MUNDO: Javier Milei entra na metade final de seu governo com avanços concretos em parte de sua agenda econômica. Empossado em dezembro de 2023, o libertário argentino conquistou a Casa Rosada com o discurso de "passar a motosserra" nos gastos públicos da Argentina, trazendo eficiência, crescimento econômico e inflação e câmbio controlados no país. O presidente mirou na jugular do tamanho do Estado na economia, cortando ministérios e funcionários, e na chamada "casta política".

Após dois anos de trabalho, os economistas ouvidos pela reportagem reconhecem que a economia argentina avançou em algumas das principais frentes. Não obstante, colheu ao longo do caminho respaldo de instituições do sistema financeiro internacional.

Em abril de 2025, o Banco Mundial anunciou apoio de US$ 12 bilhões para a Argentina. Mais tarde, em setembro, voltou a respaldar a agenda econômica de Milei com anúncio de US$ 4 bilhões adicionais.

Em comunicado desta última ocasião, a instituição destacou "forte confiança" nos esforços do governo argentino para modernizar sua economia, atrair investimentos externos e gerar empregos.

"Para essas instituições – e muitos analistas, inclusive o que vos fala - a inflação argentina estava associada a déficits crônicos. A credibilidade da moeda depende de disciplina fiscal e, portanto, Milei adotou exatamente esse diagnóstico", aponta Otaviano Canuto, ex-vice presidente do Banco Mundial, ex-diretor executivo do FMI (Fundo Monetário Internacional) e sênior fellow do Policy Center for the New South.

Nessa esteira, a avaliação de crédito e o risco-país da Argentina passaram a registrar melhores resultados.

"É provável que a Argentina retorne aos mercados internacionais de capitais mais cedo do que tarde ainda este ano", indica Jimena Zuniga, economista da Argentina pela Bloomberg Economics.

A "motosserra" contra o déficit público

De um pico de 155,7% em proporção de PIB (Produto Interno Bruto) no ano de 2023, a dívida argentina encerrou 2024 em 82,6%, foi a uma mínima de 76,4% no segundo trimestre de 2025 e encerrou o terceiro trimestre do ano passado em 78,2%.

"Há ainda uma dependência de apoio externo pelo FMI e de acordos de liquidez para sustentar reservas e financiamento."

Ainda assim, quanto à alta dos preços, os economistas destacam outro êxito da gestão Milei.

Hiperinflação

"Este governo, com suas nuances, pode mostrar um resultado, que é a redução da inflação [apesar de estar] esbarrando um pouco nas dificuldades para reduzir a inflação de níveis moderados para níveis baixos", observa Zack.

A hiperinflação argentina teve seu ápice recente em dezembro de 2023, quando os preços no país subiram 25,5% em comparação com o mês anterior. A alta acumulada em 12 meses chegou a um pico de 289,4% em abril de 2024.

Dólar

Por fim, uma questão ainda em aberto que os economistas apontam é um velho problema conhecido pelo argentino: o dólar.

"A Argentina teve um déficit na conta corrente no ano passado, e as reservas líquidas continuam em níveis muito negativos. Uma nuance de curto prazo é que as reservas aumentaram neste último mês, a menos que o Banco Central tenha finalmente tomado a decisão de acumular reservas, algo que deveria ter feito durante todo o ano passado, mas não fez por questões eleitorais", pontua o professor da UBA.


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