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porto velho, sábado 31 de janeiro de 2026

MUNDO: O Irã ameaçou, na quinta-feira (29), desencadear “consequências perigosas” após a UE (União Europeia) ter designado formalmente a (IRGC) Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista, em meio à escalada das tensões entre Teerã e as potências ocidentais.
Os ministros das Relações Exteriores da UE aprovaram a designação em uma reunião em Bruxelas, descrevendo-a como uma resposta à violenta repressão iraniana aos protestos antigovernamentais.
“A repressão não pode ficar sem resposta”, escreveu a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, ao anunciar a decisão. “Qualquer regime que mata milhares de seus próprios cidadãos está caminhando para a sua própria destruição.”
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, compartilhou desse sentimento. "'Terrorista' é, de fato, o termo apropriado para um regime que esmaga brutalmente os protestos de seu próprio povo", afirmou.
Em um comunicado divulgado pela agência de notícias estatal iraniana IRNA, o Estado-Maior das Forças Armadas do Irã classificou a decisão da UE como "ilógica, irresponsável e maliciosa" e acusou os líderes europeus de agirem em obediência às políticas dos Estados Unidos e de Israel.
A declaração afirmou que a Guarda Revolucionária Islâmica desempenhou um papel central no combate a grupos extremistas, incluindo o Estado Islâmico, e alertou que “as consequências perigosas desta decisão hostil e provocativa recairão diretamente sobre os formuladores de políticas europeus”.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou os governos europeus de intensificarem as tensões e aumentarem o risco de uma guerra generalizada no Oriente Médio.
“A Europa, por outro lado, está ocupada atiçando as chamas”, escreveu Araghchi na rede social X. Ele observou que vários países estão trabalhando para evitar uma guerra em grande escala na região, mas argumentou que os Estados europeus não estão entre eles.
Ele classificou a designação da IRGC como um “grave erro estratégico” cometido a mando dos Estados Unidos e alertou que a Europa sofreria graves consequências caso um conflito eclodisse, incluindo o aumento vertiginoso dos preços da energia.
Formada em 1979, após a Revolução Islâmica do Irã, a IRGC opera separadamente do restante das Forças Armadas Iranianas e possui seu próprio exército, marinha, força aérea, serviços de inteligência e forças especiais.
Sua função é preservar a República Islâmica e responde diretamente ao líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
Estima-se que a IRGC tenha entre 150 e 190 mil membros, incluindo uma força expedicionária de elite conhecida como Força Quds, que foi designada como organização terrorista pelos Estados Unidos em 2007.
Além disso, um braço da Guarda Revolucionária Islâmica conhecido como Basij, uma milícia paramilitar voluntária, possui aproximadamente 450 mil membros, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, com sede nos EUA, e desempenha um papel fundamental na repressão de protestos antigovernamentais.
A Guarda Revolucionária já havia sido designada como uma “organização terrorista estrangeira” pelos Estados Unidos em 2019, durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump.
Naquela época, Washington culpou o Irã pelas mortes de 608 militares americanos no Iraque entre 2003 e 2011, pelas mãos do que chamou de “representantes da Guarda Revolucionária”.
Em meio às ameaças dos EUA de atacar o Irã pela segunda vez desde junho, Teerã anunciou uma expansão significativa de suas capacidades militares.
O Irã afirmou ter adicionado mil “drones estratégicos” ao seu arsenal militar, informou a agência de notícias IRNA na quinta-feira (29), embora não esteja claro quais tipos de drones foram incluídos.