Fundado em 11/10/2001
porto velho, sexta-feira 22 de maio de 2026

MUNDO: Sete executivos chineses e quatro das maiores fabricantes de contêineres marítimos do mundo foram indiciados nos Estados Unidos sob acusação de integrar um esquema global para restringir a produção e manipular os preços de contêineres padrão não refrigerados entre 2019 e 2024.
Segundo as autoridades americanas, a conspiração dobrou os preços dos equipamentos entre 2019 e 2021 e elevou os lucros das empresas em até cem vezes durante a pandemia de Covid-19 e a crise global da cadeia de suprimentos.
Um dos executivos acusados, Vick Nam Hing Ma, foi preso e aguarda extradição para os EUA, enquanto os outros seis seguem foragidos.
O executivo chinês Vick Nam Hing Ma, de 54 anos, ex-diretor de marketing da Singamas Container Holdings Ltd., foi preso em 14 de abril de 2026, na França, e aguarda extradição para os Estados Unidos.
Segundo a acusação apresentada no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia, Ma e outros 10 investigados participaram de um esquema internacional para restringir a produção e manipular os preços de contêineres marítimos secos usados no transporte global de mercadorias.
Entre as empresas acusadas estão a Singamas Container Holdings Ltd., a China International Marine Containers (CIMC), a Dong Fang International Containers e a CXIC Group Containers Co. Ltd., consideradas algumas das maiores fabricantes de contêineres do mundo. De acordo com as autoridades americanas, o grupo teria controlado a oferta global de contêineres não refrigerados entre 2019 e 2024.
A denúncia aponta que executivos das empresas se reuniram em novembro de 2019, em Shenzhen, na China, para fechar um acordo de restrição de produção com o objetivo de elevar os preços globais dos contêineres.
Segundo os investigadores, o grupo limitou turnos nas fábricas, monitorou linhas de produção com câmeras, proibiu a abertura de novas unidades e criou punições financeiras para empresas que descumprissem o acordo.
As autoridades também apontam que o cartel passou a controlar diretamente a quantidade de contêineres vendidos a grandes locadoras, companhias marítimas e empresas de logística dos Estados Unidos, Europa e China. O esquema teria permanecido ativo até pelo menos novembro de 2023.
Segundo a acusação, os ganhos das empresas dispararam durante a pandemia de Covid-19 e a crise global da cadeia de suprimentos. O segmento de fabricação de contêineres da CIMC teria saltado de cerca de US$ 19,8 milhões em lucro em 2019 para aproximadamente US$ 1,75 bilhão em 2021.
Já a Singamas saiu de um prejuízo de cerca de US$ 110 milhões em 2019 para lucro de quase US$ 187 milhões em 2021.
O Procurador-Geral Adjunto Stanley Woodward afirmou que “quem trapaceia nunca prospera” e disse que o Departamento de Justiça vai responsabilizar empresas e executivos que “manipularam os mercados para lucrar com uma pandemia global”.