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porto velho, quinta-feira 12 de fevereiro de 2026

PORTO VELHO - RO - A filiação do ex-deputado federal Expedito Netto ao PT foi como fósforo riscado em palha seca: iluminou por instantes e chamou atenção em um terreno dominado pelo bolsonarismo em Rondônia.
Ao deixar o PSD e anunciar pretensão de disputar o Governo do Estado, Netto tirou o partido da letargia e devolveu protagonismo a uma legenda que vinha apagada e fora do centro de debate, com poucos nomes competitivos em seus quadros, a exceção da deputada Cláudia de Jesus tem se destacado pela atuação firme e comprometida em defesa das pautas sociais e do desenvolvimento regional.
O gesto teve efeito imediato. O PT voltou às manchetes, ganhou espaço nas rodas políticas e rompeu, ainda que momentaneamente, o isolamento imposto pelo ambiente conservador do estado. Em um cenário onde a esquerda patina há anos, o simples movimento de Netto foi suficiente para sacudir o tabuleiro.
Mas o brilho durou pouco.
Passados os primeiros dias de euforia, o partido voltou ao silêncio — e Netto foi junto. Nos bastidores, o entusiasmo nunca foi unânime. Parte da militância o enxerga como “estranho no ninho”, alguém sem identidade orgânica com a história petista e distante da linha ideológica que sustenta a base fiel da legenda, mesmo nos momentos de maior adversidade.
Politicamente, o ex-deputado não carrega densidade eleitoral robusta nem estrutura consolidada. Sua pré-candidatura provocou ruídos, expôs fissuras — inclusive familiares, ao aprofundar o distanciamento com o ex-senador Expedito Júnior, seu pai — e reposicionou temporariamente o PT no radar. Mas não construiu, até aqui, uma base capaz de sustentar um projeto majoritário.
Dentro do próprio partido, o movimento é visto com pragmatismo. Há quem admita que, mesmo sem viabilidade concreta de vitória, a filiação já cumpriu um papel estratégico: recolocar o PT na conversa sobre sucessão do governador Marcos Rocha e interromper a narrativa de irrelevância eleitoral.
O futuro da candidatura permanece incerto. Pode ser homologada em convenção, pode ser rifada no ajuste interno da esquerda. O que já está posto é que Expedito Netto conseguiu, ainda que por curto período, fazer aquilo que a oposição não vinha conseguindo: gerar fato político.
Em Rondônia, onde a política é jogo bruto e território ideológico demarcado, às vezes o movimento não é para vencer — é para lembrar que ainda se está no jogo. E o PT luta para se manter.