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porto velho, sábado 21 de fevereiro de 2026

RONDÔNIA - Faltam apenas 223 dias para a eleição e a disputa pelas duas vagas ao Senado em Rondônia já se transformou numa verdadeira briga de foice no escuro. São seis nomes de peso no tabuleiro — Sílvia Cristina, Fernando Máximo, Confúcio Moura, Acir Gurgacz, Bruno Scheid e Delegado Camargo — para apenas duas cadeiras. Não há espaço para amadorismo. Nem para erro.
Sílvia Cristina segue à frente na maioria das pesquisas que circulam com algum grau de confiabilidade. Consolidou base eleitoral sólida, forte presença no interior e capital político acumulado ao longo dos mandatos. Hoje, é o nome que todos observam com atenção — e que muitos tentam desgastar.
Fernando Máximo aparece logo atrás, sempre competitivo. Médico, ex-secretário de Saúde e deputado federal atuante, construiu imagem técnica aliada a discurso alinhado ao eleitorado conservador, majoritário em Rondônia. Tem recall, estrutura e capilaridade. Entra na disputa como protagonista, embora reze para que o esqueleto processual nos armários da Polícia Federal não seja ressucitado.
Já Confúcio Moura enfrenta o maior desafio. Após abraçar pautas mais alinhadas à esquerda em um Estado declaradamente bolsonarista, sabe que sua reeleição não será tranquila. Experiência ele tem. História também. Mas o ambiente ideológico é adverso, e o eleitor rondoniense tem se mostrado cada vez mais polarizado e avesso ao seu apoio a Lula.
Acir Gurgacz surge como variável decisiva. Caso resolva sua situação judicial e viabilize a candidatura, pode alterar completamente o cenário. Ex-senador, conhecido no interior e com base fiel, tende a crescer quando entra oficialmente na corrida. Sua presença embaralha alianças e redistribui votos. Mas a justiça por enquanto está com o dedo no suspito.
Bruno Scheid ainda é dúvida da ‘braba’. Pouco conhecido fora dos círculos mais ideológicos, aposta no apoio da família Bolsonaro como trunfo eleitoral. Pode surpreender se conseguir converter engajamento digital em voto real. Mas transferência de capital político nunca é automática e nem tradicional em Rondônia.
Delegado Camargo, por sua vez, construiu palanque com discurso duro contra o governador e retórica firme contra a esquerda. Tem eleitorado fiel e discurso combativo. A dúvida é se conseguirá ultrapassar a bolha ideológica e alcançar o eleitor mais pragmático. Tem mais retórica que ação.
ANÁLISE CONJUNTURAL
O pano de fundo é claro: Rondônia é um Estado fortemente conservador. Isso pesa. E muito. A disputa deve se concentrar no campo da direita fragmentada, enquanto nomes associados à esquerda enfrentam resistência estrutural.
Seis nomes. Duas vagas. Uma eleição que promete ser uma das mais acirradas da história recente do Estado. Aqui não haverá vitória por acaso. Será cálculo, estratégia e resistência.
E, no fim, apenas dois atravessarão a linha de chegada.