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    porto velho, sexta-feira 17 de julho de 2026

Segurança, saúde e desenvolvimento devem decidir o voto dos rondonienses em 2026

A eleição de 2026 tende a ser menos influenciada por discursos de confronto e mais pela capacidade de apresentar soluções consistentes...


Redação

Publicada em: 16/07/2026 23:09:42 - Atualizado

imagem - montagem rondonoticias/ia

PORTO VELHO - RO - A menos de três meses das eleições, o discurso político começa a ganhar intensidade. Mas, longe dos palanques, o eleitor parece já ter definido quais serão os verdadeiros critérios para escolher o próximo governador de Rondônia. Segurança pública, saúde e desenvolvimento econômico formam o tripé sobre o qual será medido o grau de confiança em cada candidato.

As pesquisas costumam apontar diferentes níveis de aprovação dos governos, mas basta conversar com qualquer cidadão nas ruas de Porto Velho ou do interior para perceber que há três perguntas recorrentes: quem conseguirá enfrentar a violência? Quem reduzirá o sofrimento de quem espera por atendimento na saúde? E quem apresentará um projeto capaz de fazer Rondônia crescer sem desperdiçar seu enorme potencial econômico?

Na segurança pública, os fatos falam por si. Porto Velho conviveu, nos últimos meses, com uma sequência de homicídios em diferentes regiões da cidade, especialmente nas zonas Leste e Sul e nos residenciais Morar Melhor e Orgulho do Madeira. A execução de pessoas em plena luz do dia, a atuação ostensiva das facções criminosas e o avanço do tráfico alimentaram uma sensação de insegurança que extrapola as estatísticas oficiais.

Mesmo com operações policiais frequentes e prisões de suspeitos, a população continua convivendo com o medo. Em alguns bairros, moradores passaram a restringir seus deslocamentos à noite, comportamento que revela uma preocupante perda da sensação de liberdade. Soma-se a isso o crescimento dos crimes contra mulheres e crianças, transformando a segurança em uma das principais cobranças da campanha eleitoral.

A saúde pública ocupa posição semelhante na lista de prioridades. Filas para consultas especializadas, demora para exames de alta complexidade, espera por cirurgias eletivas e a sobrecarga dos hospitais públicos continuam sendo uma realidade para milhares de famílias rondonienses. No interior, a dependência da estrutura hospitalar da capital ainda obriga pacientes a viagens longas e desgastantes em busca de atendimento.

Não se trata apenas de construir novas unidades. O eleitor espera eficiência na gestão, valorização dos profissionais de saúde, regionalização dos serviços e capacidade de reduzir um problema que atravessa sucessivos governos sem solução definitiva.

No desenvolvimento econômico, Rondônia possui uma vantagem que poucos estados brasileiros conseguem reunir. O agronegócio consolidou-se como motor da economia estadual, colocando o Estado entre os maiores produtores nacionais de carne bovina, café, soja, milho e pescado. Mas produzir muito já não basta.

O grande desafio da próxima administração será transformar matéria-prima em riqueza. Isso passa pela agroindustrialização, pela atração de investimentos privados, pela expansão da pesquisa científica aplicada ao campo, pelo fortalecimento da assistência técnica, pela recuperação de áreas degradadas e pela incorporação de tecnologias capazes de aumentar a produtividade sem pressionar a abertura de novas áreas.

Também será impossível discutir desenvolvimento sem enfrentar gargalos históricos da infraestrutura. A BR-364 continua sendo a principal artéria econômica de Rondônia, mas enfrenta problemas de conservação, acidentes frequentes e elevados custos logísticos. A ampliação da capacidade de armazenagem, a modernização dos portos e a melhoria da integração entre os diferentes modais de transporte deixaram de ser apenas demandas do setor produtivo para se tornarem questões estratégicas para toda a economia estadual.

Nesse contexto, o próximo governador precisará olhar além da próxima safra. Será necessário investir em inovação, incentivar cadeias produtivas de maior valor agregado, estimular a industrialização da produção agropecuária, ampliar a qualificação da mão de obra e criar um ambiente capaz de atrair novos empreendimentos.

A eleição de 2026 tende a ser menos influenciada por discursos de confronto e mais pela capacidade de apresentar soluções consistentes. O eleitor já conhece os problemas. O que espera agora é alguém que demonstre competência para enfrentá-los.

No fim das contas, dificilmente vencerá quem fizer o discurso mais inflamado. Terá vantagem quem convencer a população de que possui um plano viável para devolver a tranquilidade às ruas, dignidade ao atendimento na saúde e um horizonte de crescimento capaz de transformar o potencial econômico de Rondônia em prosperidade para toda a sociedade.


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