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    porto velho, sexta-feira 31 de julho de 2026

Renúncia de Confúcio deixa Pedro Abib sem escudo político e aprofunda crise no MDB

Embora tenha sido homologado na convenção estadual do partido, Abib nunca conseguiu reunir musculatura...


Redação

Publicada em: 31/07/2026 10:09:27 - Atualizado

PORTO VELHO (RO) – A desistência do senador Confúcio Moura de disputar a reeleição ao Senado produziu um efeito muito maior do que simplesmente retirar um candidato da corrida eleitoral. Na prática, a decisão atingiu em cheio a candidatura de Pedro Abib ao Governo de Rondônia, que perde seu principal sustentáculo político dentro do MDB e passa a conviver com dúvidas sobre a viabilidade de permanecer na disputa até o fim.

Embora tenha sido homologado na convenção estadual do partido, Abib nunca conseguiu reunir musculatura eleitoral suficiente para transformar sua candidatura em um projeto competitivo. Seu maior patrimônio político era justamente a presença de Confúcio Moura no mesmo palanque. O senador, presidente estadual da legenda e principal liderança emedebista em Rondônia, era quem emprestava ao projeto o peso institucional, a capacidade de articulação e a esperança de manter o MDB relevante na disputa majoritária.

Sem Confúcio, o cenário muda radicalmente.

Pedro Abib passa a liderar uma candidatura praticamente avulsa, sustentada por uma estrutura partidária cada vez mais fragilizada e sem nomes de projeção estadual e federal capazes de impulsionar sua campanha. Nos bastidores, já há quem admita que, diante do novo quadro, a permanência do empresário na disputa poderá ser reavaliada nas próximas semanas, caso a campanha não consiga encontrar uma alternativa para sobreviver politicamente.

A crise, porém, não nasceu agora.

O MDB de Rondônia vive um processo de esvaziamento que se arrasta há vários anos. Desde a gestão de Lúcio Mosquini no comando da legenda, o partido iniciou um movimento contínuo de perda de protagonismo, assistindo à saída ou ao afastamento de algumas das maiores lideranças de sua história.

Valdir Raupp, Marinha Raupp, Tomás Correia e Amir Lando representam apenas parte de uma relação de nomes que, em diferentes momentos, deixaram de ocupar espaço central na construção política do partido. A legenda, que durante décadas foi protagonista das eleições rondonienses, passou a assistir à redução de sua influência tanto na capital quanto no interior.

Nos últimos meses, a situação se agravou.

Confúcio Moura concentrou em torno de si praticamente todas as decisões estratégicas do MDB. As divergências internas aumentaram, especialmente quando passou a atuar para impedir que Amir Lando disputasse uma das vagas ao Senado. O ex-senador, uma das figuras mais respeitadas da política rondoniense, acabou sendo afastado da disputa dentro da própria legenda, alimentando ainda mais o desgaste interno.

A movimentação foi interpretada por muitos filiados como uma tentativa de eliminar qualquer concorrência ao projeto de reeleição de Confúcio. Ironia do destino, poucos dias depois, foi o próprio senador quem desistiu da candidatura, deixando o partido sem seu principal nome e sem o plano político que justificava boa parte das decisões tomadas nos bastidores.

Como diz o velho ditado, o castigo veio a cavalo.

Agora, o MDB entra oficialmente na campanha eleitoral em posição muito distante daquela que já ocupou no passado. Sem candidatura competitiva ao Senado, com um projeto de governo enfraquecido e uma nominata considerada modesta para os cargos proporcionais, a legenda tende a desempenhar um papel secundário nas eleições de 2026.

O partido que já elegeu governadores, senadores, deputados e comandou as principais articulações políticas do Estado corre o risco de transformar-se em mero coadjuvante do processo eleitoral.

Para muitos observadores da política rondoniense, esse cenário não decorre de um único episódio, mas da soma de escolhas estratégicas acumuladas ao longo dos últimos anos. A condução partidária durante a gestão de Lúcio Mosquini e, posteriormente, sob o comando de Confúcio Moura, é apontada por críticos internos como um dos fatores que contribuíram para o enfraquecimento da legenda.

Se antes o MDB era uma força capaz de definir eleições em Rondônia, hoje entra na disputa tentando apenas evitar um desfecho ainda mais melancólico para uma das siglas mais tradicionais da história política do Estado.


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