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porto velho, segunda-feira 31 de agosto de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta segunda-feira (31/08) recebeu o jornalista e analista político João Paulo Prudêncio para uma análise do cenário eleitoral de Rondônia. Na avaliação do entrevistado, a corrida pelo Governo do Estado está marcada pela existência de três grandes blocos políticos com força, estrutura partidária e capacidade eleitoral, sem espaço, neste momento, para apontar um favorito absoluto.
Ao analisar a configuração da disputa, Prudêncio afirmou que a eleição de 2026 apresenta uma característica diferente de outros pleitos: as principais forças estão distribuídas em três grandes grupos, impedindo a concentração do poder político em torno de apenas uma candidatura.
“São três blocos, três grandes blocos que estão lutando ali. Não existe um grande, imenso bloco”, afirmou.
Segundo o analista, um dos grupos está estruturado em torno de Marcos Rogério, reunindo PL, Podemos e outras legendas identificadas com a direita e o bolsonarismo. Outro bloco tem Hildon Chaves como candidato e reúne partidos como União Brasil, Progressistas e Republicanos. A terceira força é representada por Adailton Fúria e conta, conforme Prudêncio, com o peso político e a estrutura ligada ao Governo de Rondônia.
Para ele, o equilíbrio entre essas forças mantém a corrida aberta. “Não existe só um grande blocão que está se colocando como já ganhou”, afirmou.
Pesquisas entram no centro da disputa
Ao tratar dos levantamentos eleitorais, Prudêncio demonstrou cautela e questionou a possibilidade de considerar os números atuais como uma fotografia definitiva da eleição. Ele citou especificamente a pesquisa Quaest e recordou resultados de eleições anteriores para sustentar que pesquisas precisam ser analisadas dentro do contexto de cada momento da campanha.
Ao comentar o levantamento em Rondônia, que mostrou Marcos Rogério e Adailton Fúria próximos e também aproximou Hildon Chaves e Expedito Netto, o jornalista afirmou que o resultado provocou questionamentos.
“Isso chamou muita atenção de muita gente, que também acha que não vai ser isso, e está longe de ser isso”, declarou.
Prudêncio citou especificamente a situação de Hildon e Expedito. Na avaliação dele, o ex-prefeito de Porto Velho chega à disputa com uma trajetória eleitoral já consolidada na capital, enquanto Expedito entrou mais recentemente na corrida pelo Governo.
Redes sociais entram na guerra pelo voto
Além das alianças partidárias, Prudêncio apontou a comunicação digital como um dos fatores que poderão interferir diretamente no desempenho dos candidatos. Para ele, quem conseguir transformar as redes sociais em uma ferramenta eficiente de apresentação de propostas poderá largar em vantagem.
“Aquele candidato que nas redes sociais, principalmente Instagram, conseguir expressar e expor melhor as suas ideias, tiver uma produção melhor e souber manusear melhor a comunicação das redes sociais, ele já larga na frente”, avaliou.
Nesse campo, o jornalista destacou a estrutura de Marcos Rogério. “Nesse quesito, a gente tem o Marcos Rogério, que tem uma equipe muito bem estruturada para fazer esse trabalho”, afirmou.
Prudêncio ponderou, entretanto, que uma campanha eficiente nas redes não será suficiente. Segundo ele, saúde, educação, saneamento básico e segurança pública estão entre os principais temas sobre os quais os candidatos precisarão apresentar respostas ao eleitorado.
Marcos Rogério tenta mudar imagem após derrota
Ao analisar Marcos Rogério, Prudêncio afirmou que é possível identificar uma estratégia para modificar a imagem que marcou a candidatura do senador na eleição anterior para o Governo de Rondônia.
Segundo o jornalista, o próprio candidato teria identificado problemas em sua postura durante aquela campanha. “Ele próprio tem o conhecimento de que perdeu o governo de Rondônia por conta dele mesmo, na última eleição”, afirmou.
Prudêncio destacou que a mudança já pode ser percebida na apresentação pública do senador e citou sua participação em debate eleitoral com uma postura e vestimenta mais informais.
“Uma coisa é estudada e direcionada. Ele viu e entendeu que perdeu muito voto por conta dessa pecha de soberba”, disse.
O analista ressaltou, porém, que caberá ao eleitor avaliar se a mudança representa uma nova postura política ou uma estratégia restrita ao período eleitoral.
Eleitor acompanha histórico e dinheiro das campanhas
Outro elemento apontado por Prudêncio é o maior acesso do eleitor às informações sobre candidatos e campanhas. Segundo ele, ferramentas como o DivulgaCand passaram a fazer parte do acompanhamento da disputa eleitoral.
“Hoje está todo mundo ali a todo momento acompanhando em tempo real quanto está caindo de fundo eleitoral para cada um dos candidatos”, afirmou.
Para Prudêncio, a facilidade de acesso às informações também aumenta o peso da trajetória política dos concorrentes. “A sociedade está bastante atenta ao histórico”, acrescentou.
Porto Velho busca ampliar força na Assembleia
A representatividade política de Porto Velho também entrou no debate. Prudêncio avaliou que a capital possui potencial eleitoral para construir uma bancada mais numerosa na Assembleia Legislativa de Rondônia.
“Porto Velho tem 350 mil eleitores”, afirmou. Na avaliação do jornalista, esse contingente eleitoral teria capacidade para “eleger no mínimo 10 deputados estaduais”.
Prudêncio relacionou a baixa representação da capital à capacidade de atrair recursos estaduais. Durante a entrevista, citou declaração recente do prefeito Léo Moraes sobre o volume de emendas destinadas à infraestrutura de Porto Velho.

“Isso mostra a problemática que a capital tem com a falta de bancada grande e forte na Assembleia”, avaliou.
Fúria, Marcos Rocha e o peso do Governo
Ao analisar Adailton Fúria, a discussão passou pela relação do candidato com o governador Marcos Rocha e pelo peso que a atual administração poderá exercer na campanha.
Prudêncio avaliou que Marcos Rocha teve falhas, mas também resultados positivos que não teriam recebido comunicação política suficiente, principalmente na área social. Por outro lado, apontou a segurança pública como um dos problemas enfrentados pela gestão.
Na avaliação do jornalista, Fúria também precisa administrar politicamente a associação com determinadas promessas do atual governo.
“O que faz o Fúria não querer estar do lado ou associar demais a imagem do Marcos Rocha é a promessa do euro que não saiu”, afirmou.
Ao dimensionar o possível desgaste eleitoral do assunto, Prudêncio foi enfático: “Isso é um fantasma, é um fantasma de estar puxando no pé de muita gente aí pela madrugada.”
Expedito Netto enfrenta resistência no campo petista
A candidatura de Expedito Netto também foi alvo de uma das análises mais contundentes da entrevista. Prudêncio afirmou que a escolha enfrenta resistência entre integrantes do próprio campo petista em Rondônia e atribuiu a construção da candidatura a uma articulação feita nacionalmente.
Ao comentar a forma como a candidatura chegou às bases do partido no estado, resumiu: “Foi imposição goela abaixo”.
Prudêncio também afirmou que a indicação provocou consequências na construção de uma aliança mais ampla. Segundo ele, Acir Gurgacz teria manifestado pessoalmente resistência a uma composição do PDT com Expedito Netto.
“O próprio Acir Gurgacz falou nesse final de semana, eu encontrei ele, ele falou que, com o Expedito, ele não ia de jeito nenhum. O PDT não ia nunca”, relatou.
Ainda de acordo com Prudêncio, Gurgacz teria relacionado a escolha de Expedito ao fim da articulação denominada Caminhada Brasil Esperança. “Ele disse que a Caminhada Brasil Esperança morreu com a indicação do Expedito para governador”, afirmou.
Com três grandes blocos organizados, estratégias de reposicionamento político, resistências internas e uma disputa intensa pela comunicação com o eleitor, a avaliação apresentada no A Voz do Povo aponta para uma corrida pelo Governo de Rondônia ainda aberta. Para Prudêncio, a força das estruturas partidárias existe, mas nenhuma delas chega ao atual momento da campanha em condições de tratar a eleição como definida.
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