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Trump aprova e republicanos divulgam documento que acusa investigadores

Memorando foi enviado ao Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados.


G1

Publicada em: 02/02/2018 14:53:17 - Atualizado

O presidente americano Donald Trump liberou nesta sexta-feira (2) a divulgação de um documento elaborados por republicanos que acusa o FBI e o Departamento de Justiça de atuar com parcialidade contra Trump nos estágios iniciais da investigação no "caso Rússia".

O memorando acusa autoridades federais de abusar de sua autoridade quando pediram permissão para investigar um ex-assessor de política externa na campanha de Trump, Carter Page.

De acordo com o documento, uma autoridade do FBI disse a congressistas que um dossiê sobre Trump elaborado por Christopher Steele, ex-espião britânico que alegou conluio entre a Rússia e a campanha do presidente, foi usado como "parte essencial" da vigilância sobre Page.

O dossiê de Steele foi financiado em parte pelo Comitê Nacional Democrata e pela campanha presidencial de Hillary Clinton, que concorreu contra Trump nas últimas eleições. As informações contidas nele não foram confirmadas.

O memorando divulgado nesta sexta acrescenta que, em setembro de 2016, Steele disse a uma autoridade do Departamento de Justiça que estava "desesperado para que Donald Trump não fosse eleito".

Ainda segundo o documento, o vice-diretor do FBI, Andrew McCabe, disse ao Comitê de Inteligência que um alerta de vigilância sobre Page não seria emitido se não fossem as informações daquele dossiê.

Trump: 'Desgraça'

Republicanos do Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados aprovaram a divulgação do memorando na última segunda-feira, dando cinco dias a Trump para aprovar sua divulgação ou não. Trump enviou o documento nesta sexta de volta ao Comitê, que então o tornou público.

"O que está acontecendo em nosso país é uma desgraça. Muitas pessoas deveriam sentir vergonha de si mesmas", disse Trump a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca.

O principal autor do documento, o republicano Devin Nunes, afirmou na última quarta: "Está claro que autoridades usaram informações não confirmadas em um documento para abastecer uma investigação de contra-Inteligência durante a campanha política americana".

Autoridades do Departamento de Justiça tinham alertado que divulgar o memorando pode colocar informações confidenciais em risco.

A disputa em relação ao documento reflete uma batalha mais ampla a respeito da investigação criminal do procurador especial Robert Mueller sobre um possível conluio entre a campanha de Trump e a Rússia para ajudá-lo a vencer a eleição presidencial de 2016.

A Rússia e Trump negam as alegações. A investigação de Mueller e o inquérito do FBI que o antecedeu eclipsaram o primeiro ano da Presidência de Trump.

Reações

Após a divulgação do memorando, o FBI divulgou que "não autorizaram e não vão autorizar políticos partidários a distrair" sua missão.

Em comunicado por e-mail, o presidente da Associação dos Agentes do FBI, Thomas O’Connor, afirmou que os agentes estavam dedicados à nação e à Constituição dos EUA, acrescentando que: "O povo americano deve saber que continuam sendo bem servidos pela principal agência de aplicação da lei do mundo".

Os democratas do Comitê de Inteligência da Câmara classificaram o documento como "um esforço vergonhoso de descreditar" o FBI, o Departamento de Justiça e a investigação federal sobre os supostos laços com a Rússia. Também afirmam que devem divulgar seu memorando, respondendo às alegações dos republicanos, no dia 5 de fevereiro.

"A divulgação seletiva e a politização de informações secretas estabelecem um precedente terrível e causarão danos de longo prazo ao Comitê de Inteligência e às nossas agências de aplicação da lei", afirmam em comunicado.


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