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    porto velho, quarta-feira 6 de julho de 2022

Pastor investigado depositou R$ 50 mil a ex-ministro da Educação Milton Ribeiro

Ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro foi preso pela PF nesta quarta-feira (22)


cnn

Publicada em: 22/06/2022 17:30:55 - Atualizado

Aliados do ex-ministro Milton Ribeiro informaram ao site que ele recebeu R$ 50 mil em sua conta bancária depositados pelo pastor Gilmar Santos, um dos investigados pela Polícia Federal por um suposto esquema de corrupção no Ministério da Educação.

O advogado de Ribeiro, Daniel Bialski, disse desconhecer com precisão o valor do depósito, mas confirmou que houve, sim, uma transação financeira entre o pastor e o ministro enquanto ele estava no cargo e que ocorreu em decorrência da venda de um carro, uma Ecosport, que pertencia à esposa do ministro.

Entenda as denúncias que derrubaram Milton Ribeiro do MEC

Em um áudio obtido pelo jornal “Folha de S.Paulo” e em reportagens do “O Estado de S. Paulo”, Ribeiro é envolvido no que seria um esquema de favorecimento a pastores na pasta.

Em uma conversa gravada, o ministro afirma que recebeu um pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL) para que a liberação de verbas da pasta fosse direcionada para prefeituras específicas a partir da negociação feita por dois pastores evangélicos que não possuem cargos no governo federal.

Na gravação, Ribeiro diz que se trata de “um pedido especial do presidente da República”. “Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar”, diz o ministro na conversa com prefeitos e outros dois pastores, segundo o jornal.

Ribeiro continua: “Porque a minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar.”

Os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura são citados nos áudios. Segundo o jornal, os dois religiosos têm negociado com prefeituras a liberação de recursos federais para obras em creches, escolas e compra de equipamentos de tecnologia.

Na conversa vazada, o ministro de Bolsonaro indica que, com a liberação de recursos, pode haver uma contrapartida.

“O apoio que a gente pede não é segredo, isso pode ser [inaudível] é apoio sobre construção de igrejas”. Nos áudios, não fica claro a forma como esse apoio se daria.

No ano passado, para poupar as emendas parlamentares de um corte maior, o governo promoveu um bloqueio de R$ 9,2 bilhões de despesas de ministérios e estatais que atinge principalmente a Educação.