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    porto velho, domingo 15 de março de 2026

Gleisi recebe alerta sobre 'perigosas indicações' para conselho da Petrobras

Deyvid Bacelar reclamou do que chama de "perigosas indicações" do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para o Conselho de Administração (CA) da Petrobras


Notícias ao Minuto

Publicada em: 03/03/2023 09:51:40 - Atualizado


BRASIL - - A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, recebeu nesta quinta-feira, 2, uma mensagem do coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, reclamando do que chama de "perigosas indicações" do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para o Conselho de Administração (CA) da Petrobras. Gleisi não gostou da atitude de Silveira, que derrubou as sugestões do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, para o colegiado e substituiu todos os nomes propostos pelo Centrão.

No texto, Bacelar diz que, se essa situação não mudar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perderá o controle da empresa. O sindicalista pede que a deputada consiga uma agenda com Lula na próxima semana, para discutir o assunto. "Por favor, cava um espaço na agenda do Presidente Lula, no dia 10/03, pra eu conversar com eles sobre essas perigosas indicações do MME para o CA da Petrobras!", afirma o sindicalista. "Não são pessoas nossas, o Presidente não terá o controle do CA e temos bons nomes já apresentados a ele pra substituir os 4 ou 3 deles!"

A mensagem recebida por Gleisi no celular, pelo aplicativo WhatsApp, foi fotografada pelo Estadão quando ela estava na cerimônia de lançamento do novo Bolsa Família, no Palácio do Planalto. O nome do presidente da FUP aparece no telefone da presidente do PT grafado como "Deyvid Petroleiro".

Em entrevista à coluna de Guilherme Amado no portal Metrópoles, Gleisi criticou Silveira por ter escolhido nomes indicados pelo Centrão para o conselho da Petrobras. "Ele (Alexandre Silveira) é o ministro de Minas e Energia. Ele não pode colocar um conselheiro que seja contra o que o presidente falou na campanha. Estelionato eleitoral não pode, não", disse Gleisi. "Os indicados do governo têm que seguir o governo. Isso vai ser um problema do ministro".

Na lista dos nomes preteridos por Silveira estão o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes, e o economista Eduardo Moreira. As indicações para o CA da Petrobras foram divulgadas na terça-feira, 28, no rastro da polêmica sobre a volta da cobrança de impostos sobre os combustíveis e ainda precisam passar pelo crivo do comitê interno da empresa, além de serem submetidos à votação de uma assembleia, em abril.

Em nota à imprensa, o presidente da FUP disse que, dos sete nomes indicados para o colegiado da Petrobras, quatro foram da cota pessoal do ministro de Minas e Energia. "Nomes ligados ao bolsonarismo, ao mercado financeiro e a favor de privatizações", resumiu Bacelar.

Alexandre Silveira é filiado ao PSD do secretário de Governo de São Paulo, Gilberto Kassab, e entrou na equipe de Lula tendo como padrinhos o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e seu colega Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Indicado para o CA da Petrobras, Vitor Eduardo de Almeida Sabak, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), é ligado a Alcolumbre e ao senador Rogério Marinho (PL-RN), que teve apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro na disputa pelo comando do Senado, no início deste mês. Sabak foi assessor especial do ministro da Economia, Paulo Guedes, e ajudou a articular a reforma da Previdência.

Outro nome sugerido por Silveira foi o de Eugênio Teixeira. A nota da Federação Única dos Petroleiros afirma que, além de ter sido sócio do ex-vice-governador de Minas Cléssio Andrade na empresa Aurium Trading Importação e Exportação, Teixeira foi "vacinado contra Covid 19 gratuitamente e às escondidas, numa garagem".

O texto da FUP observa, ainda, que o empresário do setor de açúcar e álcool Eduardo Turchetto, também indicado, "responde a processo relacionado à destruição de floresta, com corte de árvores no bioma da Mata Atlântica, em Minas Gerais". A federação se queixa da "falta de transparência" de Silveira na montagem de sua equipe no ministério. Destaca, por exemplo, que o titular de Minas e Energia bancou o nome de Bruno Eustáquio como secretário executivo do Ministério, à revelia do veto da Casa Civil. "Eustáquio trabalhou como secretário-adjunto na pasta e secretário executivo de Infraestrutura durante o governo Bolsonaro", diz a nota.

O ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta, tentou amenizar o embate com Silveira nas fileiras do PT. "Silveira tem total respaldo do presidente Lula", afirmou Pimenta, alegando que todas as indicações para o Conselho Administrativo da Petrobras foram "consensuais" entre Silveira, Jean Paul Prates e o ministro da Casa Civil, Rui Costa.


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