Fundado em 11/10/2001
porto velho, sexta-feira 22 de maio de 2026

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que os idosos deixaram de ser a menor fatia da população brasileira em 2023 e, daqui a duas décadas, serão maioria no país.
A população com 60 anos ou mais teve um aumento de 56% em relação ao Censo Demográfico de 2010. São cerca de 32.113.490 pessoas que estão nessa faixa etária, que representam 15,6% da população do Brasil.
À medida que essa parcela considerável da população cresce, aumenta também a preocupação em relação à saúde e ao bem-estar dela. A boa notícia é que o número de médicos geriatras no Brasil também vem aumentando. No entanto, ainda faltam profissionais.
A especialidade, focada em cuidar da saúde de pessoas idosas, registrou um aumento de 378,4% entre os anos de 2011 e 2024, segundo dados da Demografia Médica, publicação do CFM (Conselho Federal de Medicina) e da USP (Universidade de São Paulo).
Em 2011, o país contava com apenas 662 geriatras. Hoje, são mais de 3 mil profissionais com título de especialista reconhecido, o que corresponde a 1,49 especialista por 100 mil habitantes.
O número de mulheres geriatras é maior em relação aos homens: são 62,1% contra 37,9%. A região Sudeste é a que concentra o maior número desses especialistas, com 58,1%. Em segundo lugar é o Nordeste, com 16,9%, seguido pela região Sul, com 14,1%, Centro-Oeste, com 8,6%, e região Norte, com 2,3%.
“O Brasil está passando por um acelerado processo de envelhecimento populacional. No entanto, o número de médicos geriatras ainda é insuficiente para atender a essa demanda crescente. Embora a especialidade tenha ganhado maior reconhecimento nos últimos anos, é fundamental expandir a formação de geriatras e também sensibilizar outros profissionais da saúde sobre os princípios do cuidado geriátrico”, diz Marco Túlio Cintra, geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
O crescimento na formação de geriatras e a necessidade cada vez maior desses profissionais ocorrem em resposta a uma mudança no perfil da população. Doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, osteoporose, demências e cardiopatias, tornam-se mais prevalentes com o envelhecimento e exigem acompanhamento contínuo.
Cintra explica ainda que o geriatra, além de especialista no envelhecimento humano, realiza também prevenção, diagnóstico, tratamento, gerenciamento das condições clínicas e múltiplas doenças do idoso.
“O objetivo é manter a autonomia, funcionalidade e qualidade de vida, respeitando as singularidades e prioridades de cada indivíduo. O geriatra acompanha todas as fases do envelhecimento, desde os primeiros sinais da transição para a velhice até os momentos de maior fragilidade, incluindo o cuidado paliativo e o apoio à pessoa idosa e sua família diante da finitude. Trata-se de um cuidado contínuo”, explica.
O indicado é que pessoas a partir dos 60 anos busquem atendimento de um geriatra. No entanto, o acompanhamento pode começar ainda mais cedo.
“Pessoas mais jovens, com doenças crônicas complexas ou que desejam se preparar para um envelhecimento saudável, também podem se beneficiar da avaliação geriátrica. Quanto mais cedo for iniciado o acompanhamento, maiores as chances de prevenir complicações e preservar a qualidade de vida ao longo do tempo”, acrescenta Cintra.