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    porto velho, sábado 27 de junho de 2026

Em meio ao caso Master, Ministro Moraes nega que STF permita conflito de interesses

Ministro afirma ser falso que magistrados possam julgar casos envolvendo parentes e diz que há "má-fé" e interesse de prejudicar o tribunal em quem disemina essas informações


cnn

Publicada em: 04/02/2026 17:30:44 - Atualizado


BRASIL: O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta quarta-feira (4) que há “má-fé” nas críticas que acusam a Corte de permitir que ministros julguem processos com participação de parentes como advogados.

Segundo ele, há vedações claras que barram esse tipo de conduta e ministros estão impedidos de analisar casos nos quais tenham qualquer vínculo pessoal ou familiar com partes ou defensores.

“O magistrado não pode ter ligação com o processo que julga. E todos os magistrados, inclusive os desta Suprema Corte, não julga nunca nenhum caso em que se tem ligação”, afirmou.

A declaração foi dada durante sessão de julgamento nesta quarta, na qual ministros iniciaram a análise de duas ações que contestam uma resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que fixou regras para o uso de redes sociais por membros do Poder Judiciário.

Durante a sessão, Moraes disse que a magistratura é uma das carreiras públicas com mais restrições.

“Parece que boa parte da imprensa e de críticos do STF acha que não há vedação a magistrados. Que os magistrados não observam e não respeitam essas vedações. Não há nenhuma carreira pública com tantas vedações como a magistratura”, disse.

Ele afirmou que decisões do Supremo vêm sendo distorcidas e classificou como “mentira absurda” a interpretação de que o tribunal teria autorizado julgamentos em situações de conflito de interesse.

O ministro também criticou parte da imprensa e setores que, segundo ele, repetem informações equivocadas “por ignorância, má-fé ou interesses econômicos”, com o objetivo de prejudicar a imagem da Corte.

O ministro tem sido criticado após a imprensa revelar conexões entre sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master.

O escritório de advocacia de Viviane firmou contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, prevendo pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões entre 2024 e 2027.

A crítica se estende também ao ministro Toffoli. Relator do inquérito sobre o Master, o ministro viajou em um jato particular com um dos advogados do caso. Além disso, um resort que já pertenceu a irmãos de Toffoli receberam investimentos de um fundo ligado ao banco.

Os casos reacenderam o debate sobre a criação de um código de conduta específico para ministros do STF. A ministra Cármen Lúcia será relatora e busca apoio dos colegas para a aprovação do texto.


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