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porto velho, sábado 27 de junho de 2026

RONDÔNIA - O prefeito de Ji-Paraná, Affonso Cândido (PL), anunciou na sexta-feira (26), com ar de alegria, a entrega de um novo ônibus para o Transporte de doentes para fora do Domicílio (TFD). O veículo oferece mais conforto aos pacientes, mas também evidencia uma realidade incômoda: diante da incapacidade do prefeito de resolver parte dos problemas de saúde dentro do próprio município, a solução continua sendo colocar os doentes na estrada e empurrar o problema rumo a Porto Velho.
Na prática, o novo ônibus melhora a viagem, mas não reduz a dependência da capital para consultas, exames e procedimentos especializados, que geram custo alto ao município. Em vez de fortalecer a estrutura local e ampliar a capacidade de atendimento, a alternativa segue sendo transferir pacientes por centenas de quilômetros e se ver livre do problema.
Em Rondônia, esse modelo já ganhou apelidos próprios. Há quem o chame de "ambulância-terapia" ou "empurro-terapia": embarca-se o problema no veículo oficial e ele desaparece do radar da administração municipal até desembarcar em Porto Velho.
Para Ji-Paraná, segunda maior cidade do Estado e polo regional, a situação expõe as limitações da rede municipal e a incompetência da administração em absorver a própria demanda. Enquanto isso, famílias enfrentam horas de viagem, despesas extras e desgaste emocional, ao mesmo tempo em que aumentam a pressão sobre um sistema de saúde da capital que já opera próximo do limite.
O ônibus foi adquirido por meio de parceria entre a Prefeitura e os deputados estaduais Cirone Deiró e Nim Barroso, responsáveis pela destinação dos recursos que viabilizaram a compra.
O novo veículo certamente tornará a viagem menos desconfortável. O que permanece sem resposta é por quanto tempo Rondônia continuará investindo em transportar pacientes, quando talvez fosse mais eficiente investir para que eles fossem tratados perto de casa.
A esperteza de Cândido em livrar das despesas com seus pacientes, pode esbarrar em ação do MP/RO.
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